terça-feira, 15 de maio de 2018


Todo 19 de abril, comemoramos no Brasil o Dia do Índio – mas este povo merece ser exaltado todos os dias do ano, e, acima de tudo, respeitado. Para ajudar a fazer a diferença em relação a este assunto, o professor João Crispim Victorio lança “Nativos de Pindorama – Conhecer para respeitar é preciso”.
A obra vem para fazer valer a inclusão da disciplina “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” no currículo oficial da rede de ensino. Além disso, o autor quer ajudar a desmistificar questões acerca do povo indígena, principalmente lutando contra o preconceito e a sua marginalização.
Os índios continuam em luta por seu merecido espaço, principalmente relacionados ao poder público. “Nativos de Pindorama – Conhecer para respeitar é preciso” traz muitos estudos e reflexões sobre o assunto, pelas mãos de Crispim, um professor que mergulhou na temática, discorrendo e argumentando com excelência.
João Crispim Victorio nasceu na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Campo Grande, em 05 de dezembro de 1964. Estudou nas escolas públicas, nas quais gostava de estar, onde começou a se encantar com as letras e as histórias. Formou-se em Química e Pedagogia, atua como professor das redes pública e privada de educação. O autor, desde criança, encanta-se com a organização social e importa-se com as questões indígenas. Para ele, o dia do índio é todo dia. João Crispim Victorio é autor dos livros: Sobre o Trabalho que Falo… (2013) e Sobre o Rio que Falo… (2015) e Sobre Nós que Falo… (2017).



segunda-feira, 7 de maio de 2018


A mesma história

O menino sai de casa
Quando vai alta madrugada
Corre atrás de um emprego
Não é o último, nem o primeiro
Espera o trem na estação
Aprendeu desde cedo está lição
Perde os sonhos na realidade
Infância extirpada à metade...

Acabou-se a brincadeira
Vai trabalhar numa caldeira
Magro corpo esmirrado
É só mais um pobre coitado...

O menino volta a casa
Quando o sol se foi na longa estrada
No semblante o ar tristonho
Feito toda aquela gente grande
Fim de mais um dia de trabalho
Glória esperada por todo operário
O chão da fábrica é sua prisão
Símbolo forte da malvada opressão...

Tiraram-lhe os livros
Os seus passos não são mais livres
O menino transformou-se num rapaz
Seu sorriso pouco a pouco foi ficando para trás...

Na ilusão de ser um homem de verdade
Cresce na expectativa da tal oportunidade
Não entende os motivos de tantas desgraças
Por conta disso toma mais um gole de cachaça
Mas parece ser sempre a mesma história
Sente agora falta da sua velha escola
Nesses momentos tem um aperto no coração
Segura suas lágrimas porque homem não chora não...


Poema de João Crispim Victorio
Livro: Sobre o Trabalho que Falo... (2013)

segunda-feira, 19 de março de 2018

Palavras de vida
     (João Crispim Victorio)

Vá cantador
Vá cantar cantigas de amor
Para esse povo sofredor
Tu o poeta
Caminhante sem pressa
Falante do que interessa...

Vá cantador
Vá poeta
Vá estancar a dor
Secar o suor do trabalhador
Enxugar suas lágrimas
Com palavras de sabedoria e amor...

Vá cantador
Vá poeta
É o Nordeste de portas abertas a irradiar o Brasil
Vá sem prepotência, sem arrogância
Leve como a criança
A necessária "acordância" ao povo servil...



                                            Rio de Janeiro, 18 de março de 2018.



Jessier Quirino, Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no ano de 1954 na cidade de Campina Grande, Paraíba e é filho adotivo de Itabaiana também na Paraíba, onde reside desde 1983.

Filho de Antonio Quirino de Melo e Maria Pompéia de Araújo Melo e irmão mais novo de Lamarck Quirino, Leonam Quirino, Quirinus Quirino e irmão mais velho Vitória Regina Quirino.

Estudou em Campina Grande até o ginásio no Instituto Domingos Sávio e Colégio Pio XI. Fez o curso científico em Recife no Esuda e fez faculdade de Arquitetura na UFPB – João Pessoa, concluindo curso em 1982. Apesar da agenda artística literária sempre requisitada, ainda atua na arquitetura, tendo obras espalhadas por todo o Nordeste, principalmente na área de concessionárias de automóveis. Na área artística, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras.






Natural de Brasília, Túlio Borges é cantor e compositor premiado em diversos festivais no Brasil. Em 2010, lança seu primeiro disco. O álbum Eu venho vagando no ar apresenta canções autorais e rende elogios de grande parte da crítica nacional, como Tárik de Souza e Zuza Homem de Mello, além do prêmio de melhor cantor independente pela Rádio Cultura de São Paulo e a nominação de um dos 50 melhores discos do ano pela Revista Manuscrita.

Em 2015, lança o álbum, Batente de Pau de Casarão. Dedicado à cidade pernambucana de São José do Egito, conhecida com capital da poesia, o disco é repleto de parcerias com poetas nordestinos, como Climério Ferreira (PI), Jessier Quirino (PB), Afonso Gadelha (PB) e José Chagas (MA). O trabalho é escolhido como um dos 3 melhores discos brasileiros do ano, pelo site Melhores da Música Brasileira.

Produtor musical em diversos projetos, Túlio lança em 2017 o seu 3° álbum, Cutuca meu peito incutucável, exclusivamente sobre a paixão. Ainda em 2017, entra em estúdio com seu mais novo projeto O Maior beliscão do alicate, arranjado com inequívocas influências da música eletrônica, do rock alternativo e do jazz.










domingo, 4 de março de 2018


Uma homenagem a todas as mulheres


A Todas as Mulheres

A todas as mulheres
Carmelitas, Almerindas
Marias,Conceições
Creusas e Ritas...

Amarelas, brancas
Negras, índias e mestiças...

Gordas, magras
Altas, baixas
Feias e bonitas...

Informadas, alienadas
Estudadas e analfabetas...
Casadas, separadas
Viúvas, amantes e solteiras...

A todas as mulheres
Que se viram nas noites
Que batalham os dias...

Que fazem história
Que geram vidas
Que somam vitórias...

Que vão à luta
Que descobrem o medo
Que ignoram preconceitos...

Que assumem seus desejos
Que têm coragem...

A todas essas mulheres
A honra, o reconhecimento
A flor da homenagem...


Mulher

Insubstituível
Incomparável
Melhor...

Busca masculina da perfeição divina
Origem de tudo
Essência da vida...

A natureza produz teu nome
Rosa, Hortênsia, Margarida...

Luz
Perseverança
Conquistadora

Lindas
Perfeitas
Posso vê-las...

Nas areias das praias
Nos becos das favelas...

Brancas
Negras
Morenas...

Desfilando na avenida
Na minha esquina...




Rotina

Acorda bem cedo a menina
No silêncio se arruma
Plena melancolia
Diante do pequeno espelho
Profunda respiração
No rosto um pouco de rouge
Nos lábios o batom...

Segue seu reto destino
Sem o Norte e sem Sul
Animal no corredor da morte
Anda despertando sentidos
Avarentos homens no cio...

Sobe a mesma passarela
Parecem infinitos os degraus
Embarca no trem lotado
Sem igual...

Baixada direto à central
Rio, cidade maravilhosa
Vida dura de trabalho
Ganha um misero salário
Isso a deixa orgulhosa...

Acorda bem cedo a menina
No silêncio começa sua rotina
Repete cada gesto
Faz tudo de novo
Uma agonia...

Agora é espelho
O fruto está no seu ventre
No corredor da morte

Sorte lançada ao vento...



Guerreira

Ela desceu o morro
Não temeu a cidade
Conquistou seu espaço
Com dignidade...

Negro não mais se curva!

Negro não mais se cala!

Mão firme ergueu o estandarte
Mostrou sua rebeldia
Opressora sociedade...

Mulher não mais se curva!

Mulher não mais se cala!

Guerreira apaixonada
Voz dos oprimidos
Vez dos marginalizados...

Negro não mais se curva!

Mulher não mais se cala!




Seu Nome

Diga seu nome
Fale alto em bom tom
Todos devem ouvir...

Não tenha medo
Mostre sua cara
Seu corpo frágil...

Frágil porque é humano
Tem valor porque está vestido...

Fale alto em bom tom
Não tenha vergonha
Outras vão lhe seguir...

Trabalho digno
Igualdade salarial
Respeito irrestrito...

Mostre suas mãos calejadas
Todo seu brilho...

Fale alto em bom tom
Na sala de aula ou de cirurgia
Na direção de empresa ou de caminhão...

Sou forte e competente
Mulher como outra qualquer
Dona de casa e presidente...

Dê seu recado
Maria que era anônima...

Ser fútil é o maior dos pecados...
  


Diolinda

Como pode ser
Mulher franzina
Estatura mediana
Incomodar tanto o poder...

Ouvindo-a compreendi
Na força da voz
Na determinação
Na coragem com que falava
Quanta sabedoria!

Vi fluir livremente
A áurea do corpo
Um brilho nos olhos
Da boca um som mágico
Ecoava por toda sala
Penetrava em meus ouvidos...

Meu Deus!
Linda guerreira
Trouxe esperança
Ressuscitou o ânimo dos adormecidos
Como eu...


Poesias de João Crispim Victorio

Livros: Sobre o Trabalho que Falo... (2013)
        Sobre o Rio que Falo... (2015)
        Sobre Nós que Falo... (2017)


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Musica e criação

Músicas...
Letras...
Movimento no ar.

Pessoas...
Pensamentos...
Liberdade no falar.

Olhares...
Desejos...
Envolvimento do coração.

Óvulos...
Gametas...
Continuidade da criação.

                                                                                               João Crispim Victorio


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


Por um momento

O poeta está só
Só com seus botões
Com o ar que lhe permite respiração...

Só com seus pensamentos
Com seus devaneios profundos
Sua cabeça gira como gira o mundo...

O poeta está só
Só com as cadeiras frias
Com as dores que lhe remontam a vida...

Só com os papéis
Com a pena movida pelo fetichismo
Finge porque sabe da maldade do capitalismo

O poeta está só
Só com suas dúvidas
Com a solidão que vem das ruas...

Só com as lutas utópicas
Com sua sensibilidade crítica
Habilidades a tão poucos oferecidas...

O poeta está só
Só com sua produção intelectual
Com a busca da palavra final...

Só com suas aflições
Com a necessidade de gente
Querer a sociedade justa é urgente...

O poeta está só
Só por um momento...


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Trabalho que Falo...

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018


Curso natural
(João Crispim Victorio)

Acordei e me vi sozinho
Como se fosse possível estar!
Pois tinha o sol, o vento...

Os últimos dias andaram cinzentos
Muitas nuvens pesadas no céu
Pouca chuva sobre a terra
Finda o verão...

Então, resolvi cuidar do quintal
Fazer algo por mim mesmo
Já que há tempos não o fazia...

Logo no primeiro gesto
Lembrei-me de Cristal
As suas correrias pela casa
As estripulias que fazia
Na hora errada!
Não sei se existe hora certa...

Por muitos minutos fiquei refletindo
Completou de vez minha melancolia
Lágrimas correram dos olhos...

Saudade das brincadeiras
Fracassadas tentativas de carinho
Foram muitos anos de companhia
Por que não dizer de amizade...

Neste momento percebo pios de passarinhos
Vejo um ninho entre as madeiras do telhado
Meu peito se enche de felicidade...

Vem-me na lembrança a cadeia alimentar
Minhas aulas de ciências
Gatos são predadores de pequenos roedores
Também de insetos e pássaros
Agora, sem a física presença da Cristal
O espaço está livre...

Os pardais as cambaxirras e outros mais
Farão a festa no meu quintal
E a vida segue o curso natural...


Rio de Janeiro, 08 de fevereiro de 2018.

T odo 19 de abril, comemoramos no Brasil o Dia do Índio – mas este povo merece ser exaltado todos os dias do ano, e, acima de tudo, resp...