terça-feira, 26 de novembro de 2013




“Se a sua intenção de bem servir à causa da Justiça é um propósito sincero e verdadeiro, vá correndo assistir ao filme ‘Sobral’, documentário de longa-metragem de autoria da jovem diretora Paula Fiuza, neta de Sobral Pinto — em exibição nos cinemas da cadeia Arteplex Itaú.

Um emocionante filme sobre o não menos emocionante personagem Heráclito Fontoura Sobral Pinto, advogado que marcou a vida sociopolítica-cultural deste país ao longo de várias décadas, deixando um legado de corajosas atitudes na sua luta permanente e obstinada pelo ‘direito de ter direito’ (Hannah Arendt).

O filme em questão abre com duas frases emblemáticas desse homem, que faz imensa falta ao Brasil de hoje: ‘Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido’, citando o artigo 1º da Constituição Federal da República Federativa do Brasil, e ‘Odiar o pecado, mas amar o pecador’.

Essas frases definem o jurista democrata e o homem de fé cristã.

Não quero e nem vou me estender mais em outras considerações sobre erros e atropelos por você cometidos, cidadão Joaquim, nesse episódio da decretação da prisão dos condenados pela ação penal 470.

O erro maior e degradante cometido foi aquele que quase causou e ainda pode causar a morte de outro cidadão brasileiro — José Genoino.

Vá correndo, portanto, cidadão Joaquim Barbosa, assistir ao filme para banhar-se nas águas da sabedoria cívica, na convicção democrática e na indignação desse homem cristão e justo contra as injustiças.

Por fim, quero lhe dizer que odeio seus pecados, mas não posso deixar de amá-lo como pecador.”
 

Luiz Carlos Barreto, 85 anos, é produtor de cinema.
Igreja pede fim de privilégios dos mensaleiros na cadeia
Terça-feira, 26 de Novembro de 2013
De Evando Éboli, O Globo: 

A Pastoral Carcerária Nacional, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, criticou o livre acesso de políticos e de amigos e parentes dos condenados do mensalão nas visitas ao Complexo da Papuda. O coordenador nacional da Pastoral, padre Valdir João Silveira, afirmou que os visitantes não devem ter privilégios e que sejam submetidos às revistas, ainda que humilhantes e vexatórias, para conhecerem a realidade do sistema carcerário do país. Padre Valdir disse que a principal novidade do mensalão é que o setor mais privilegiado da sociedade está conhecendo como funcionam os cárceres no país.
“Todos deveriam passar pelas revistas, para que os amigos deputados, senadores e até ministros vejam como são os presídios no Brasil. E que passem também por revista vexatória por que todos os familiares de presos passam. Eles ficam despidos e examinados em situação humilhante. Que sintam o que milhares de pessoas sentem ao visitar seus parentes” disse o padre Valdir...
 
Gostaria de aproveitar o momento e fazer um comentário sobre a reportagem no sentido de refletirmos que tipo de contribuição estamos dando para melhorar nossa sociedade. Refirome a problemática levantada pelo coordenador nacional da Pastoral Carcerária, padre Valdir João Silveira, que me remeteu a um pensamento muito comum durante minha juventude, lá pelos idos dos anos de 1980, quando estávamos começando sentir o sabor de poder pensar e expressar nosso pensamento.
Naquela época sabíamos pouco dos acontecimento, pois muita coisa era omitida da gente, principalmente da gente com poucos recursos financeiros, moradores dos bairros da periferia das grandes cidades, que não possuía, às vezes, se quer, uma televisão em casa.
Dessa forma o que prevalecia era o senso comum sobre determinados assuntos. Lembro-me, então, da seguinte opinião compartilhada por muitos sobre o valor do salário mínimo: “alguns profissionais ganham salários altos, enquanto outros ganham apenas um salário mínimo, que é muito baixo”.
Depois de algum tempo começamos a perceber que não havia profissionais ganhando muito, o salário mínimo que era baixo demais. Sendo assim, o que precisava mudar, aumentar, era o valor do salário mínimo e não baixar o salário dos demais profissionais.
Faço aqui uma comparação de situações, quardando as devidas diferenças sociais da época,  acredito que ninguém deva passar pelas revistas vexatória, citadas pelo padre, que todos os familiares de presos vem passando, até então. O tratamento, considerado como privilégio aos presos políticos é que  precisa ser igual para todos.
É preciso humanizar o sistema prisional para que realmente haja recuperação do preso e dessa maneira ressocializá-lo. Aliás, como dizia Brizola: “no lugar de presídios deveríamos construir mais escolas”. Pensem nisso!

25 de novembro
Dia internacional de combate a violência contra a mulher
Data foi estabelecida no Primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe realizado em Bogotá, em homenagem às irmãs Mirabal.
Por que 25 de novembro?
Las Mariposas, como eram conhecidas as irmãs Mirabal – Patria, Minerva e Maria Teresa – foram brutalmente assassinadas pelo ditador Trujillo em 25 de novembro de 1960 na República Dominicana. Neste dia, as três irmãs regressavam de Puerto Plata, onde seus maridos se encontravam presos. Elas foram detidas na estrada e foram assassinadas por agentes do governo militar. A ditadura tirânica simulou um acidente. Minerva e Maria Teresa foram presas por diversas vezes no período de 1949 a 1960. Minerva usava o codinome “Mariposa” no exercício de sua militância política clandestina. Este horroroso assassinato produziu o rechaço geral da comunidade nacional e internacional em relação ao governo dominicano, e acelerou a queda do ditador Rafael Leônidas Trujillo.
 
A Todas as Mulheres
João Crispim Victorio/Poetas de Manguinhos I - 1997
A todas as mulheres
Marias,Conceições, Aparecidas...
Negras, brancas, índias...
Gordas e magras...
Baixas e altas...
Bonitas e feias...
Informadas e alienadas...
Estudadas e analfabetas...
Casadas, separadas, viúvas, amantes, solteiras...
A todas as mulheres
Que se viram nas noites
Que batalham os dias
Que fazem história
Que geram vidas...
A todas as mulheres
Que somam vitórias
Que ignoram os preconceitos
Que vão à luta
Que assumem seus desejos...
A todas essas mulheres
Que vencem o medo
Que têm coragem
A honra, o reconhecimento...
A flor da homenagem!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013




O nascimento

Certo dia, nos anos sessenta, numa comunidade pobre no interior do Brasil, um estudioso da Bíblia explicava a lei bíblica que proíbe comer carne de porco (Lv 11,7; Dt 14,8). Dizia que essa lei nasceu no deserto. Devido ao forte calor e sem sal, a carne de porco estragava, e o povo que a comesse naquela situação poderia morrer. Essa lei visava a defender a vida da comunidade.

Escutando isso, uma pessoa ali presente disse: "Então hoje, com essa mesma lei, Deus nos manda comer carne de porco!" Diante do assombro causado por essa conclusão, o agricultor, de mãos calejadas e rosto queimado pelos muitos anos de luta pela vida, explicou: "Hoje, a única carne que temos para nós e nossos filhos são os porquinhos que nós mesmos criamos. Então, se aquela lei era para defender a vida da comunidade, hoje, para defender a vida de nossas crianças e de nossa comunidade, Deus nos manda comer carne de porco!"

Assim surgia diante dos olhos daquele biblista um novo jeito de ler a Bíblia. Ele havia chegado às suas conclusões estudando geografia, história, exegese. Mas aquele homem, quase sem instrução, fez, a partir da realidade dura e pobre em que vivia e da sua luta em defesa da vida e de sua gente, uma interpretação muito mais profunda do texto. Descobriu o Espírito de Deus por trás daquelas palavras antigas e, ao mesmo tempo, trouxe esse Espírito, a defesa da vida, para o momento presente e para sua situação concreta. Dessa experiência nasceu um novo método de leitura da Bíblia, uma leitura a partir da realidade e em defesa da vida, que ficou conhecida como a "Leitura Popular da Bíblia".

Os fundadores

Para divulgar, aprimorar e capacitar pessoas no uso dessa forma nova de ler e interpretar a Bíblia (metodologia), foi fundado, em 20 de julho de 1979, o Centro de Estudos Bíblicos-CEBI. O CEBI constitui uma associação ecumênica sem fins lucrativos, formada por mulheres e homens de diversas denominações cristãs, reunidos pelo propósito de captar e fortalecer esse jeito de ler a Bíblia para que, junto com Jesus, possamos orar: "Pai, eu te agradeço porque escondeste essas coisas dos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado!" (Mt 11,25).

Nas fotos, da esquerda para a direita: Jether e Lucilia Ramalho, Agostinha Vieira de Mello e Carlos Mesters.

A primeira foto é de 20 de julho de 1979, durante a reunião de fundação do CEBI. A segunda é de outubro de 1999, durante a celebração dos 20 anos do CEBI, na Assembléia Nacional de Salvador.






 

 



 

 


Deu no jornal...
 
O Estado do Rio de Janeiro está gastando “rios de dinheiro” com militares franceses, “capacitados” a reprimir movimentos sociais de rua, para formação dos policiais militares.

Num país que se diz democrático nada é mais legitimo que as manifestações de rua promovidas por seus cidadãos.  Manifestações, essas, a favor ou contra as medidas políticas, econômicas e/ou sociais tomadas pelo poder executivo.

Sendo assim, o dinheiro gasto com a repressão teria melhor proveito se fosse gasto para atender as reivindicações dos movimentos sociais.

João Crispim Victorio