quinta-feira, 24 de dezembro de 2015


Convicção

Sou seguidor da cruz
Bebo, brigo e grito
Faço greve e protesto ser for preciso
Saí do deserto direto para o precipício
Mas, não vou cometer nenhum suicídio
Nem me enganar com o paraíso...

Vivo minha vida correndo perigo
Vivo para fazer e dizer
Sem querer agradar a você ou ao inimigo
Sou um homem objetivo
Tenho minhas profecias
Não tenho medo do novo nem do antigo...

Não sou alegre nem tão pouco triste
Observo os movimentos da noite
Para praticar melhor meu dia
Faz tempo que desci do muro
Acompanho junto minha namorada
E de perto as notícias...

Meus planos são de guerra
Minhas armas a sabedoria
Não sou o analfabeto classificado por Brecht
Política é uma ciência antiga
Opressão tornou-se doutrina
Já li Marx e ouço Chico...

Por convicção sou comunista
Tenho uma estrela guia
Seu nome é Jesus Cristo...


Poema de João Crispim Victorio
Extraído do livro: Poetas de Manguinhos (1997).
24 de dezembro de 2015.

Quero Entender

Os mistérios de Deus
O criador...
A criatura...
Pai, Filho e Espírito Santo...
O infinito céu
Com seus planetas...
Suas estrelas...
As fontes de energias...

A grandeza do universo
A Terra que gira...
A água que se modifica...
O fogo e o ar...
As várias ciências
A Matemática...
A Física...
A Química e a Biologia...

A Psicologia
Os variados sentidos...
Os muitos desejos...
A existência do inferno...
A vida humana
O homem...
A mulher...
O surgimento da vida...

O próprio corpo
Os músculos...
O vermelho sangue...
O ser completo
O medo...
A coragem...
A morte...

O diabólico preconceito
O sexo para procriação...
A força do vício...
O amor...
O frenesi da angústia
A loucura sem distinção...
A dor...
Quero entender...

Poema de João Crispim Victorio
Extraído do livro: Poetas de Manguinhos II (2006).
24 de dezembro de 2015.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A mesma história

O menino sai de casa
Quando vai alta madrugada
Corre atrás de um emprego
Não é o último, nem o primeiro...

Espera o trem na estação
Aprendeu desde cedo esta lição
Perde os sonhos na realidade
Infância extirpada à metade...

Acabou-se a brincadeira
Vai trabalhar numa caldeira
Magro corpo esmirrado
É só mais um pobre coitado...

O menino volta a casa
Quando o sol se foi na longa estrada
No semblante o ar tristonho
Feito toda aquela gente grande...

Fim de mais um dia de trabalho
Glória esperada por todo operário
O chão da fábrica é sua prisão
Símbolo forte da malvada opressão...

Tiraram-lhe os livros
Os seus passos não são mais livres
O menino transformou-se num rapaz
Seu sorriso pouco a pouco foi ficando para trás...

Na ilusão de ser um homem de verdade
Cresce na expectativa da tal oportunidade
Não entende os motivos de tantas desgraças
Por conta disso toma mais um gole de cachaça...

Mas parece ser sempre a mesma história
Sente agora falta da sua velha escola
Nesses momentos tem um aperto no coração
Segura suas lágrimas porque homem não chora não...

Aprendeu desde muito cedo esta lição...

  
Poema de João Crispim Victorio
Extraído do livro: Sobre o Trabalho que Falo...
17 de dezembro de 2015.

domingo, 6 de dezembro de 2015


Direitos Humanos: um desafio a ser conquistado.

João Crispim Victorio[i]


Sabemos que a tendência natural da humanidade é evoluir e essa evolução se dá de acordo com os conhecimentos científicos, tecnológicos e sociológicos acumulados, por isso, temos a impressão que lá nos primórdios se vivia o atraso. Agora, quando o assunto é a convivência em sociedade e em família, aí parece que as coisas evoluem lentamente. Nesse sentido, as questões relacionadas a gênero, a etnia, a religiosidade, a política e, por fim, ao poder econômico são, sem sombra de dúvidas, questões que necessitam da educação como base para melhor compreensão e discernimento na construção de um mundo melhor. Mundo, esse, que pode ser compreendido e comparado ao Reino de Deus. Para tanto, é preciso abolir o poder econômico, creio ser ele o causador de todos os problemas sociais produzindo o pior de todos os conflitos, a guerra. Assim, ter compreensão do processo histórico que possibilitou a construção da Declaração Universal dos Direitos Humanos na busca da vida vivida em harmonia, é fundamental. Pois só conhecendo o documento é que daremos a ele o devido valor e importância, já que o mesmo nasce da necessidade de permitir que todos, homens, mulheres, crianças e idosos tenham vivam em plenitude.
Para definirmos Direitos Humanos[1] podemos começar dizendo que o título é formado por dois substantivos: Humanos, homem e mulher; Direitos, coisas permitidas em lei. Então, Direitos Humanos são os direitos que a pessoa tem porque é humano. Esses direitos estão baseados no princípio do respeito em relação ao ser humano que antes de qualquer coisa é um ser moral e racional, por isso, merece ser tratado com dignidade. São chamados de direitos humanos porque são universais e sem dúvidas são bastante amplos e significativos no sentido da liberdade do trabalho, da escolha da pessoa para formar a família, de viajar livremente e de ter lazer. Ou seja, toda pessoa têm direitos, não importa o gênero, a etnia, a orientação sexual, a religião ou o país que vive. Mas nem sempre foi assim. Nos tempos passados, não havia garantias dos direitos individuais da pessoa humana.
Os direitos humanos surgiram da ideia de que todas as pessoas deveriam ter, garantidos em lei, alguns princípios básicos, necessários a uma vida digna em sociedade. Encontramos essa ideia em todo o processo de desenvolvimento e evolução da humanidade enquanto ser social, tanto nos livros bíblicos do Antigo e do Novo Testamento, quanto em alguns pensadores nas áreas de História, Sociologia e Antropologia. Um primeiro exemplo é a narrativa sobre a criação que encontramos no livro de Gênesis (Gn 1, 25-29)  onde a criatura, cen­tro do ato criador, torna-se parceiro do próprio criador no cuidado com toda a sua criação. Um segundo exemplo é a tentação do poder absoluto nas narrativas do fruto proibido (Gn 2, 15-17), pois comer daquele fruto permitiria ter o mesmo poder de Deus. Por isso o ser humano se percebeu nu e frágil, consciente de sua limitação. Já o relato da Torre de Babel (Gn 11), por meio da confusão das línguas diferentes, mostra a impossibilidade dos seres humanos serem submetidos a um poder absoluto, ou seja, haverá sempre a luta pelo poder.
No Pentateuco, percebemos o caráter social da ética dos hebreus nos critério estabelecidos para o convívio humano pautado pelo reconhecimento dos direitos como as Leis de Deus (Ex 20, 1-17) que norteia toda a ação e convívio humano, como por exemplo, o uso e a distribuição da terra e dos alimentos, pois a maior preocupação é com os pobres, os órfãos, as viúvas, os leprosos, os estrangeiros, com todos que correm o risco da exclusão. Mas é com os profetas do Antigo Testamento que encontramos muitas ações em defesa da dignidade, da liberdade e do direito à vida humana em plenitude. Os profetas representavam a oposição consciente aos atos do poder dos que reinavam sobre o povo em Israel. Eles foram chamados e enviados por Deus para denunciar toda opressão e falácia do poder dos Reis, que deveria estar a serviço do povo, e anunciar o Reinado de Deus.
O Novo Testamento, além dos Evangelhos, traz também narrativas referentes às primeiras comunidades cristãs, descrevendo as atividades dos discípulos após a morte e a ressurreição de Jesus, evidenciando a forma de organização social das mesmas. Poderíamos aqui exemplificar com várias passagens do próprio Jesus, mas para o propósito do nosso texto citarei o Apóstolo Paulo (Rm 13, 1-7), mediando um confronto entre a comunidade e a autoridade política local. Esse tipo de problema, sabemos muito bem, ocorre ainda hoje em nossas comunidades. No entanto, Paulo escreve a comunidade no intuito de mostrar como deve ser exercido o poder político e o seu limite, objetivando estrategicamente, com isso, evitar a negação radical da autoridade política. Fazer essa leitura de maneira desatenta nos leva a pensar que Paulo está sugerindo que toda autoridade é boa e deve ser obedecida, porém, o que Paulo está dizendo é que não devemos hostilizar e nem desprezar a autoridade inadvertidamente, isso, para nós hoje é defender do Estado de Direito. Podemos concluir, então, que no limite do contexto histórico, social e político, Paulo defende os valores de cidadania e de direitos da pessoa humana.
Como podemos verificar, em toda a Bíblia encontramos textos que relatam a preocupação com a dignidade da vida humana[2]. Outro fato histórico importante na consolidação dos direitos humanos ocorreu em 539 a.C. O primeiro rei da antiga Pérsia, Ciro, o grande, libertou os escravos da Babilônia e, posteriormente, declarou, registrando em um cilindro de barro, que todas as pessoas tinham o direito de escolher sua religião. Este é o registro mais antigo, hoje reconhecido como a primeira carta dos direitos humanos. Além desse registro, outros documentos históricos foram surgindo na intenção de garantir os direitos individuais da pessoa, como a Carta Magna, outorgada pelo Rei João da Inglaterra, no ano de 1215, a elaboração da Petição de Direitos, apresentada ao Rei Carlos I em 1628, a Constituição dos Estados Unidos (1787), a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), e a Declaração dos Direitos dos Estados Unidos (1791). Todos considerados por muitos como documentos precursores da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Dentre os registros históricos[3] acima podemos observar que durante esta fase foram ocorrendo mudanças de ordem política e econômica, no mundo conhecido, sugerindo modificações radicais no comportamento social das pessoas. A partir daí o tempo vai se tornando cada vez mais curto entre um documento e outro. Durante o movimento denominado Renascimento, século XV e XVI, precursor da ciência moderna, surge instrumentos que vão facilitar as navegações marítimas, dando início ao período de expansão da Europa, por meio das colonizações nas Américas e na África, época que fere de morte os direitos humanos, devido, principalmente, a execução dos nativos e a escravidão dos negros africanos. Mas é no século XVIII que se concentra o maior número de documentos históricos relacionados aos direitos da pessoa. Isso ocorre em consequência das grandes mudanças no cenário político, econômico e social que estão acontecendo em toda a Europa e Estados Unidos. Entre as mudanças podemos citar a Revolução Científica, a Revolução Industrial, de cunho econômico, iniciada na Inglaterra, a Revolução Francesa[4], de cunho social e ideológico. Revoluções, estas, que causam uma nova orientação na organização da sociedade e do trabalho.
Nesse sentido, uma nova geografia territorial e política é configurada. Um novo modo de organização social surge mexendo com a vida das pessoas provocando grandes transformações nos hábitos, nos costumes e nos valores morais e éticos. Estas transformações promovem no início do século XX, três novos fatos que vão mexer com todo o mundo: a Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918), a Revolução Russa (1917) e a Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945). Neste contexto, em abril de 1945, delegados de cinquenta nações se reuniram em São Francisco formaram a Organização das Nações Unidas – ONU, para proteger as pessoas e promover a paz. Os ideais da ONU foram declarados no prefácio da carta de proposta: “Nós os povos das Nações Unidas estamos determinados a salvar as gerações futuras do flagelo da guerra, que por duas vezes na nossa vida trouxe incalculável sofrimento à Humanidade”. A carta entrou em vigor no dia 24 de outubro de 1945, ainda no calor e no cheiro da pólvora propagada na Segunda Guerra Mundial.
Dia 24 de outubro de 1945, a partir desta data se comemora todos os anos o Dia das Nações Unidas. Três anos depois, em 1948, a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, inspirada na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, elaborou um documento, que finalmente viria ser aprovado pelas Nações Unidas no dia 10 de dezembro do mesmo ano, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O documento, composto por trinta artigos, tem hoje parte dessas leis constitucionais delineando os direitos fundamentais que formam a base para uma sociedade justa e democrática. Entre os trinta artigos do documento estão questões relacionadas com a garantia dos direitos civis, políticos, sociais e ambientais, como a liberdade individual, a educação, a saúde, a propriedade, a cultura, entre outros.
Como vimos a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU, guia o texto base de inúmeras Constituições pelo mundo, inclusive a nossa de 1988. Mas assim como alguns países, o Brasil, ainda, não conseguiu consolidar alguns artigos da Lei universal no que se refere à:

... liberdade e a dignidade, conforme o artigo primeiro... no que se refere à igualdade perante a lei, conforme artigo sétimo...  no que se refere à propriedade, conforme artigo décimo sétimo...  no que se refere à liberdade de pensamento, de consciência e de religião, conforme artigo décimo oitavo...  no que se refere à liberdade de opinião e de expressão, conforme o artigo décimo nono... no que se refere ao direito a trabalho, à filiação sindical e à proteção contra o desemprego, conforme artigo vigésimo terceiro... no que se refere ao direito a repouso, a lazer e a férias periódicas pagas, conforme artigo vigésimo quarto... no que se refere à educação, educação de qualidade gratuita e obrigatória, pelo menos no ensino básico, e acesso ao estudo superior aberto a todos em plena igualdade, conforme o artigo vigésimo sexto... (UNIC / Rio 005 – Agosto 2009).

Os artigos destacados são os básicos do básico no desafio da construção de uma sociedade justa e fraterna, porém, ainda não conseguimos implantá-los de maneira efetiva na nossa sociedade brasileira. Há muito ainda por fazer, principalmente, no que se refere a: construção de um sistema de educação inclusivo e de qualidade; promoção da justiça social com  empregos e salários dignos; reforma agrária com investimentos financeiros e infraestrutura que garanta a fixação do homem na terra e políticas públicas destinadas aos mais pobres para torná-los pessoas dignas. Aos poucos estamos conquistando alguns desses desafios, no entanto, sabemos que não é fácil, basta olharmos para os últimos 15 anos, a mudança na direção dos investimentos públicos do governo federal, por exemplo, vem causando verdadeiro ódio aos mais ricos, acostumados somente a ganhar e nunca a repartir. Por isso, os mesmos vêm se organizando e investindo muito dinheiro para derrubar o governo e acabar com a festa dos mais pobres e marginalizados. Sendo assim, é preciso conhecer para fazer valer e defender a nossa Constituição, conforme proclama a Declaração Universal dos Direitos Humanos, no seu prefácio: “... tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades...”. Ou seja, a saída é pela educação. 

Rio de Janeiro, 04 de dezembro de 2015.



[1] Definição conforme Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.
[2] Os textos bíblicos citados são da Bíblia do peregrino da editora Paulus.
[3] http://www.humanrights.com/pt/what-are-human-rights/brief-history/cyrus-cylinder.html
[4] A França, em 1789, aboliu a monarquia absoluta estabelecendo a primeira República Francesa  e nesse momento proclama a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão. Declaração que garante a todos os cidadãos os direitos de liberdade, propriedade, segurança, e resistência à opressão.



[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta.

domingo, 22 de novembro de 2015


África e Bahia

África, terra de tantos encantos
Canto para te saudar
Terra do povo negro
Salve os teus orixás...

Bahia, braço de continuidade
Que vontade de ficar
Terra de todos os santos
Canto para teus orixás...

Oxalá, que na força deste povo
Um grito novo possa ecoar
Laços de amizade e magia
África, Bahia e seus orixás...

África, terra de tantos encantos...

Bahia, terra de todos os santos...

Oxalá, canta o povo de todas as etnias...

África e Bahia
Cantam para seus orixás...

Poema de João Crispim Victorio
Extraído do livro: Poetas de Manguinhos (1997).
22 de novembro de 2015.

sábado, 7 de novembro de 2015


Ciência e Tecnologia, a serviço de quem?
João Crispim Victorio[i]

             Antes de qualquer coisa é preciso compreender o conceito e a evolução da Ciência e da Tecnologia dentro de um contexto histórico, social e ideológico, próprio da evolução humana. Dessa maneira iremos perceber que Ciência e Tecnologia caminham juntas, mas nem sempre dependente uma da outra; que quanto mais avançado em Ciência e Tecnologia for um determinado país, mais poder exercerá sobre os outros e, por fim, para a Ciência e a Tecnologia acontecerem são necessários investimentos, por um lado, intelectual, capacidade de criação do ser humano e, por outro, financeiro, pois no modelo político-ideológico que vivemos, sem o dinheiro, não há crescimento científico e tecnológico.
A palavra ciência deriva do latim "scientia" que significa conhecimento ou saber. Atualmente se designa por ciência todo o conhecimento que abarca teorias e leis gerais obtidas e testadas por meio do método científico. A Ciência, na verdade, comporta um conjunto de saberes com teorias elaboradas nas suas próprias metodologias. Dentre esse conjunto de saberes temos as Ciências da Natureza que descrevem, ordenam e comparam os fenômenos naturais determinando as relações existentes entre eles, formulando leis e regras. Podemos distingui-las como Ciências Exatas: física e química e Ciências Descritivas: biologia, geologia, medicina, entre outras.
Já a palavra tecnologia tem sua origem no grego “τεχνη” e “λογια” que significam ofício e estudo respectivamente, ou seja, o termo envolve conhecimento técnico e científico. Então, tecnologias são métodos elaborados para melhorar o funcionamento dos mecanismos de produção visando tornar mais rentáveis os investimentos e isso compreende desde as ferramentas mais simples até as mais complexas. Sendo assim, podemos definir tecnologia como sendo a aplicação do conhecimento científico por meio do estudo sistemático das técnicas para fabricar e fazer coisas conseguindo um melhor resultado prático. Portanto, isso demonstra que a Tecnologia está intimamente ligada a Ciência e ambas se completam para dinamizar a vida no mundo[1].
A religião, refiro-me aqui ao cristianismo, durante todo o processo de evolução humana, além das Ciências e das Tecnologias, torna-se um fator que merece destaque devido sua influência e interferência na vida e na história humana. A Bíblia, por exemplo, não é um livro científico, mas fala de ciência e está de acordo com fatos científicos bem diferentes das crenças de alguns povos que viviam na época em que algumas de suas histórias saíram da oralidade e ganharam a forma da escrita. Comparando com a periodização clássica da historiografia as histórias biblicas acontecem dentro do período que chamamos de História Antiga, em dois momentos. O primeiro, Antigo Testamento, de 1900 a.C. até o ano 1 da era cristã e o segundo, Novo Testamento, tem seu início a partir do nascimento, da trajetória, da morte de Jesus Cristo e seus discípulos, ou seja, até os anos 70 d.C.
Vejamos alguns exemplo dos relatos bíblicos[2] que demonstram, de forma interessante, essa ligação entre Ciência e Religião. Vamos iniciar esta tarefa com a questão do Universo:  segundo o livro de Gênesis o Universo tem uma criação (Gn1, 1). No entanto, para alguns povos antigos o Universo não foi criado e sim nascido de deuses e os seres humanos eram vítimas das ações imprevisíveis desses deuses,  sabemos, pois, que  o Universo é governado por leis naturais e não por caprichos dos deuses, conforme relatos no livro de Jó (Jó 38, 33) e de  Jeremias (Jr 33, 25); A Terra é suspensa no espaço vazio, conforme, Jó (Jó 26, 7). Porém, alguns povos antigos acreditavam que a Terra era achatada e se apoiava em um búfalo ou em uma tartaruga; ainda de acordo com Jó (Jó 36, 27-28) e, também, Eclesiastes (Ecl 1, 7) , entre alguns outros livros biblicos, a água evapora e cai em forma de chuva, alimentando os rios e os mares. Os povos antigos acreditavam e até o século 18, ainda se acreditava que eram as águas dos oceanos subterrâneos que alimentavam os rios; algumas práticas de higiene são relatadas em Levítico (Lev 11, 28 e 13, 1-5) e Deuteronômio (Deu 23, 13), regulamentando ao povo de Israel procedimentos corretos depois de tocar num cadáver, isolar pessoas com doenças infecciosas e eliminar fezes humanas de forma segura. Nessa  época os egípcios tratavam as feridas com excremento humano.
Com esses poucos exemplos citados já é possível verificar que a evolução da humanidade sempre esteve diretamente ligada ao tripé: Religião , Ciência e Tecnologia. Hoje sabemos que ao longo dessa evolução muitos cientistas, alguns deles divididos entre Ciência e Religião, tiveram importante participação, mesmo durante a tenebrosa inquisição. Pois, suas descobertas possibilitaram o progresso da vida humana em sociedade e muitas das transformações sociais se deram devido ao avanço científico que desde os primórdios da nossa história, principalmente, a partir da descoberta, do uso e da reprodução do fogo, assim como o uso de um simples galho de árvore para ampliar o braço humano e derrubar uma fruta, vem ocorrendo. Ou seja, podemos dizer que nos distintos períodos da história que antecederam a Revolução Científica[3], na Europa do início no século 17, vimos uma ciência voltada para os conhecimentos que poderiam explicar o Universo e seus fenômenos naturais e já nos períodos pós Revolução Científica veremos a consolidação do que se convencionou chamar Ciência Moderna. O embrião da Revolução foi a Renascença italiana, que apesar da posição contrária da Igreja Católica foi em frente e no início do século 18, toma forma o método científico, que passaria ser aplicado na busca de explicação dos fenômenos da natureza. Aqui dois personagens se destacaram Francis Bacon e René Descartes.
Nesse sentido, podemos concluir que a evolução da Ciência e da Tecnologia, ao longo da história da humanidade, transita por três fases distintas, até tornarem-se indissociáveis e, por que não dizer, centro da incansável busca pelo progresso humano. Tomaremos por base, para essas divisões em fases, a Revolução Industrial ou, segundo alguns historiadores, Revolução Tecnológica, que teve início na Inglaterra de 1740, século 18. Revolução esta que acontece devido aos avanços científicos e tecnológicos da época, pois, possibilitaram a introdução das máquinas no processo produtivo. A introdução da mecanização na produção, até então artesanal, dá origem as fábricas e por consequência inicia-se um modelo de organização do trabalho, agora de forma intensiva. Dessa forma podemos concluir que a primeira fase da evolução da Ciência e da Tecnologia ocorre no período que antecede a Revolução Industrial. A segunda fase acontece no período que vai da Revolução Industrial até a Segunda Guerra Mundial, século 20, e a terceira fase do avanço da Ciência e da Tecnologia, inicia-se com a Segunda Grande Guerra, também no século 20, até os nossos dias atuais.
Como podemos verificar, hoje, a introdução das máquinas nos setores produtivos ao longo dos anos, não só aumentou a velocidade do trabalho como também reduziu e até mesmo substituiu o homem no seu posto de trabalho. Sendo assim, a máquina e sua evolução através dos tempos passa ser o centro no processo econômico e produtivo. Nesse contexto, com a ampliação do crédito foi possível dinamizar e fortalecer o sistema capitalista em ascensão e o capital, sem sombra de dúvidas, sempre ficou nas mãos de uns poucos, numa roda viva que tem sustentação primeiro, no pilar econômico e segundo, no pilar político.
Mas, nos dias de hoje, num mundo dividido entre uma minoria de detentores do capital e uma maioria de desprovidos desse mesmo capital, é preciso fazer a seguinte reflexão: a Ciência e a Tecnologia estão a serviço de todos? A resposta a esse questionamento é, simplesmente, não. Agora, depois de respondida a questão, temos de tomar algumas atitudes, já que, o conhecimento científico, conforme observado, ao longo da história, não era privilégio de alguns grupos em detrimento de outros, mas ocorrera de maneira a favorecer melhores condições de vida a todos, assim, como os relatos do livro de Levítico[4]. Para tanto, é necessário que mudemos o nosso pensamento e comportamento no sentido de garantir, lá na frente, a longo prazo, uma nova humanidade. Proponho que essa mudança comece já, pois não é possível que fiquemos no famoso “jeitinho”, é preciso muito mais. É preciso construir um novo modo de viver e para alcançar esse objetivo o primeiro passo seria desenvolver entre nós a cultura do não consumismo, consequentemente, nos livrando das amarras da ideologia capitalista que só valoriza o ter em detrimento do ser. 

 

Rio de Janeiro, 7 de novembro de 2015.
 
 


[1] De acordo com a UNESCO, "a ciência é o conjunto de conhecimentos organizados sobre os mecanismos de causalidade dos fatos observáveis, obtidos através do estudo objetivo dos fenômenos empíricos"; enquanto "a tecnologia é o conjunto de conhecimentos científicos ou empíricos diretamente aplicáveis à produção ou melhoria de bens ou serviços" (Reis, Dálcio Roberto, “Ciência e Tecnologia” in www.xadrezeduca.com.br/site/h4/).
 
[2] Os textos bíblicos citados são da Bíblia do peregrino da editora Paulus.
 
[3] A revolução científica moderna tem início com a obra de Nicolau Copérnico, Sobre a revolução dos orbes celestes (1543). Copérnico defende matematicamente um modelo de cosmo heliocêntrico, rompendo com o sistema geocêntrico formulado no século II por Cláudio Ptolomeu. Os filósofos René Descartes e Francis Bacon dedicaram suas obras as novas teorias científicas e ao modelo de ciência baseado no método científico da observação, da experimentação e verificação de hipóteses como critérios decisivos, destituindo de vez o argumento metafísico.
 
[4] O livro de Levítico é um tratado de higiene e saúde. Nessa época o povo vivia a Idade do Bronze (1500 a.C.). Estavam saindo do Egito, viajando a pé e acampando pelo caminho, com rebanhos e crianças imigrando para o Oriente Médio. As orientações visavam acomodar as necessidades e resguardar o povo de uma epidemia ou doença generalizada pelo acampamento. As medidas anunciadas são profiláticas visando primariamente a prevenção e a erradicação de microrganismos.
 
 

[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta.

 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Vídeo


Vídeo



Santa cruz

Seis horas da manhã
O trem para na estação
Como se fosse possível sair da crucificação
Todos abaixam as mãos...

Apenas um momento de alívio
O ato está consumado.

Uma sonora sirene dispara
Anunciando o fechamento das portas
Lembra um campo de concentração
Todos levantam as mãos...

Movimento quase que sincronizado
Voltam à crucificação.

Segue o trem lotado
De estação em estação
Direção ao centro da cidade

Homens e mulheres
Jovens e anciãs...

Trabalhadores sacrificados
Via sacra cristã...

Poema de João Crispim Victorio
Extraído do livro: Sobre o Trabalho que Falo...
05 de novembro de 2015.

sábado, 10 de outubro de 2015

 
CE Professora Vilma Atanázio / Campo Grande-RJ
 
SEMANA DE ARTES 05 a 07 DE OUTUBRO
 
ENCONTRO COM O ESCRITOR
 
 

















quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Crianças e o vale tudo do capitalismo.
João Crispim Victorio[i]
 
No Evangelho, segundo Marcos[1] (10,14-15), está escrito: “Deixem as crianças vir a mim. Não lhes proíbam, porque o Reino de Deus pertence a elas”. Neste caso, a criança simboliza o fraco, o sem voz e sem vez, o ser que necessita de proteção. E Jesus Cristo vai além: “Eu garanto a vocês: quem não receber como criança o Reino de Deus, nunca entrará nele”. Jesus Cristo nos deixa claro que é preciso estar desprovido de toda soberba para poder receber o Reino. Quando Ele faz este gesto, o faz para mostrar a importância da criança enquanto ser social, já que naquela época as crianças não tinham nenhum significado nessa área.
Como podemos ver, no Evangelho de Marcos, Jesus Cristo mostra que as crianças devem ser respeitadas e valorizadas como tal, Ele dá tanta importância a essa questão que faz uma relação das mesmas com os adultos, quando diz que só será possível entrar no Reino se o recebermos como crianças. No entanto, parece que nós, os cristãos dos tempos de hoje, já nos esquecemos dessa preocupação de Jesus Cristo com os pequenos.  Pois, o que vemos é um total desrespeito com nossas crianças e sua infância, sejam elas cristãs ou não, pobres ou ricas. Um bom exemplo disso é, de modo geral, a falta de políticas públicas direcionadas a orientar e regularizar as mídias em favor de proteger as crianças do vale tudo do capitalismo e do deus dinheiro. Contudo, sabemos que o povo brasileiro não é formado única e exclusivamente por cristãos, conforme podemos verificar, segundo os dados do Censo Demográfico de 2010 do IBGE[2]. O Censo mostra o crescimento da diversidade religiosa no Brasil. Os católicos estão sofrendo redução, embora sejam maioria. Os evangélicos, de modo geral, cresceram de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. Esta pesquisa mostra o aumento dos espíritas, dos sem religião e dos pertencentes às outras religiosidades. Os dados de sexo e grau de instrução mostraram que os católicos e os sem religião possui maioria de pessoas do sexo masculino e os espíritas os mais elevados indicadores de educação e de rendimentos.
Importa notar que de acordo com os dados do censo, fica claro que a maioria do povo brasileiro participa de religiões cristãs. Sendo assim, podemos considerar que muitos dos nossos governantes, parlamentares e diretores executivos de empresas, particularmente os da área de comunicação, são cristãos. É interessante, nesse caso, ver que os ensinamentos de Jesus Cristo são falados e lembrados somente nos templos, diga-se de passagem, templos que são verdadeiros palácios de ostentação em comunidades pobres, enquanto que na prática do dia a dia, parecem esquecer os compromissos de cristãos, conforme vimos no Evangelho de Marcos. Cristo quer que lutemos por vida digna para nossas crianças para no futuro termos o Reino de Deus aqui na Terra. Nesse sentido, é injustificável a falta de cuidados que temos com nossas crianças. 
Mas, como se desenvolveu na história da humanidade a concepção de infância? Para entender esse processo é importante compreender as mudanças que ocorreram em relação ao conceito de infância, em determinados períodos do processo civilizatório, ou seja, a visão que temos hoje de criança foi sendo historicamente construída ao longo dos séculos. Algumas atitudes que parecem absurdas para nós, no nosso tempo atual, como tratar à criança igual a um adulto em miniatura, há alguns anos passados era normal. A sociedade de tempos atrás, independente do credo religioso que professava, se abastarda ou pobre, se instruída ou sem instrução alguma, não via a criança como um ser social com necessidades de cuidados especiais.
A origem da palavra infância está no latim infantia, do verbo fari (falar), onde fan (falante) e in constitui a negação do verbo. Portanto, infans refere-se ao indivíduo que ainda não é capaz de falar. Este conceito está relacionado a fase da vida humana do nascimento até à adolescência. Porém, ao longo da história e das diferentes culturas, o conceito de infância foi passando por modificações. Nesse contexto, durarante o século XX, surgem diversas organizações[3] no mundo e no Brasil, que culminam na proteção à criança e ao adolescente, principalmente, no que diz respeito a implantação de políticas públicas de beneficiamento as famílias mais pobres, resolvendo assim um dos maiores problemas enfrentados por essa categoria social: a falta de alimentação. Combatendo este problema, consequentemente, outros estariam sendo revolvidos como o baixo nivel de escolaridade, o trabalho e à violência física e sexual sofrida por nossas crianças e adolescentes.
No Brasil, a criança ganha devida atenção a partir da Constituição de 1988. Constituição marcada por vários avanços na área social e de gestão das políticas sociais, no sentido de abrir à participação das comunidades, por meio de conselhos deliberativos e consultivos. Em seu art. 7º, XXXII, eleva para 14 anos a idade mínima para o trabalho, 12 anos para o aprendiz e proíbe o trabalho noturno, perigoso ou insalubre para menores de 18 anos. Também, desde a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, que um grupo de trabalho vinha se reunindo para concretizar os direitos da criança e do adolescente. O resultado deste trabalho é o artigo 227 da Constituição Brasileira, base para a elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Segundo o Estatuto, é considerado criança a pessoa com até doze anos incompletos e adolescentes os que se encontram entre os doze e os dezoito anos. O período que compreende a criança é subdividido em três processos de desenvolvimento infantil: primeira infância (0 - 3 anos); segunda infância (3 - 6 anos) e terceira infância (6 - 12 anos). A partir daí temos a adolescência.
Podemos dizer, então, que diante da evolução do conceito de criança e de infância, em termos de leis, temos avançado bastante no mundo e no Brasil. Mas, particularmente no Brasil, falta o rigor das autoridades competentes em fazer cumprir as leis e não o contrário, criar novas leis no intuito de anular as já existentes, elaboradas e discutidas por anos, em favor da proteção a criança e do adolescente, como é o caso da diminuição da maioridade penal. Enquanto cidadãos devemos questionar sobre a qualidade das estruturas prediais, do sistema de educação e da pedagogia oferecidas as nossas crianças nas creches, nas pré – escolas e nas escolas de nível fundamental e médio. Pois, esta concepção de educação assistencialista e bancária precisa ser modificada. Isso significa dizer que temos de ir muito além dos aspectos legais. É preciso rever concepções sobre a infância, as relações entre classes sociais, as responsabilidades da sociedade e o papel do Estado diante das crianças pequenas, conforme RCNEI[4]. Devemos, também, questionar as programações e os comerciais exibidos nas televisões, principalmente, os que visam usar nossas crianças para atingir os adultos no intuito de vender seus produtos, sem o mínimo de preocupação com as interferências de modo negativo que possam causar ao psicológico das crianças, isso não importa na ganância do dinheiro.
Sabemos que a principal função da televisão é o entretenimento e não a educação. Porém, se usada de maneira a juntar as duas coisas, ou seja, exibindo programas que eduquem entretendo ao mesmo tempo, tornar-se um objeto melhor. Mas não quero, aqui, culpar só a televisão diante de outros meios midiáticos como o computador, o celular e a internet, nem quero minimizar a responsabilidade da família na educação dos filhos. Ao me referir a família não estou falando apenas da família tradicional, independente do modelo, é necessário que a mesma tenha controle da programação e sabedoria na orientação com diálogo aberto sobre o que se está assistindo na televisão e acessando na internet. Isso é trabalhoso e tem mais um agravante, muitos dos pais de hoje são os que até ontem passavam o dia inteiro diante das TVs. São os ditos pais “modernos” e “liberais”, aqueles que não têm tempo e nem criam tempo para acompanhar seus filhos. As consequências desse processo destrutivo é o que vemos todos os dias em todos os lugares, crianças sem respeito a nada e a ninguém e, por fim, sem capacidade de discernimento entre o certo e o errado.
Então, nós cristãos temos o dever de assim como Jesus Cristo, dizer com toda a tranquilidade e amor: Deixem as crianças vir a mim. Não lhes proíbam, porque o Reino de Deus pertence a elas” (Mc. 10,14-15).  Para tanto, devemos agir na direção de uma educação integral, não no sentido de, simplesmente, manter nossas crianças e os adolescentes nas escolas por 6 horas diárias, mas no sentido de ocupá-las com as principais dimensões da vida humana. Devemos, também, reagir a inércia provocada pelas telas, cada vez mais sofisticados, dos aparelhos de televisão e exigir melhor orientação e regularização das mídias em favor da proteção de nossas crianças. Acredito que uma sociedade justa e fraterna só será possível quando nossas crianças deixarem de ser a alma do negócio.
 
Rio de Janeiro, 6 de outubro de 2015.


[1] Citações da Bíblia Edição Pastoral.
 
[2] IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dados do Censo Demográfico de 2010. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/.
 
[3] A evolução histórica brasileira de proteção á criança não coincide com a da Europa. Já que até meados do século XIX, a maior parte da população brasileira estava concentrada na área rural, e o trabalho de crianças e adolescentes era comum para aumentar o rendimento familiar. Apesar de muitas mudanças, esta é uma realidade que vemos até hoje. No Brasil, Leis que vão beneficiar nossas crianças e adolescentes, direta ou indiretamente, tem início a partir de 1871, com a Lei do Ventre Livre, até, por enquanto, 2013, com a 3ª Conferência Global sobre o Trabalho Infantil, realizada no Brasil. http://www.promenino.org.br/direitosdainfancia/historico.
 
[4] Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil de 1998.
 


[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta.

 

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