sábado, 28 de março de 2015



Acredito na vida
Na força de organização do trabalho, no dia a dia

Na luta pelo pão
No calor da solidariedade de uma mão estendida

Na vitória da justiça
No triunfo da boa vontade com a verdade prevalecida

No sol, na lua e suas energias...

Acredito na semente que gera a árvore da vida
No fruto que brota da terra, como se fosse magia

Na juventude idealista que busca a fraternidade
Na inocência da criança, num futuro de liberdade

Na Maria, no João e suas diversidades...

Poema de João Crispim Victorio
Livro: Sobre o Trabalho que Falo...
28 de março de 2015.

sábado, 14 de março de 2015


Fogo companheiro...
João Crispim Victorio*

 Acredito, infelizmente, que existam dois tipos de grupos de indivíduos que se dizem de esquerda a nutrir ódio contra o PT. Um dos grupos, formado por filiados a um partido politico, acredita na possibilidade do seu partido vir um dia, e na cabeça desses indivíduos esse dia parece cada vez mais próximo, a ocupar, para não dizer tomar, o lugar do PT no cenário político nacional, regional e local no campo das esquerdas. Para tanto, como se já não bastassem os fisiológicos que hoje corroem o partido internamente, iguais a cupins, esses indivíduos sem nenhum pudor e respeito à história de construção do PT, destroem o partido. Comparo-os aos urubus que espreitam o boi que não quer morrer.

O outro grupo, formado por indivíduos personalistas e festeiros, acreditam, por falta de ideologia política, que o PT traiu o povo e por isso está acabado. Os mesmos tiram suas conclusões com base nas informações ou desinformações oferecidas pela mídia burquesa e golpista que defende seus interesses próprios e dos mais abastados do país. Mas isso esses indivíduos não são capazes de compreender, pois não são suficientemente politizados como querem desmonstrar em suas comunidades. Na verdade estão sempre muito preocupados com suas imagens de “liderança”.  

Muitos dos que hoje estão nessa posição reproduzem o ódio que cega contribuindo para o ofuscamento das inegáveis conquistas sociais e políticas dessa década e meia na qual o PT está no governo. Ódio, esse, semeado pelas mídias, pelos apologetas e pelos homens de negócios (Frigotto, 2000). Essa cegueira impede esses indivíduos de entender que o inimigo, não é o PT e sim a direita arcaica, latifundiária e nazista, dona do capital e, por isso, defensora do capitalismo excludente que gera miséria,  portanto, perverso na sua essência.

 O pior cego não é aquele que não pode ver, mas aquele que não consegue enxergar. Esse indivíduo, no momento atual, está sendo usado para fortalecer o mal, mas está cego, não percebe. Sendo assim, contribui para manter um modelo de sociedade totalmente contrário ao defendido por Jesus: para todos tenham vida e vida em plenitude (Jo 10 -10). É lamentável! Mas a direita representada no parlamento pelo PSDB e seus aliados, para não dizer escória, num jogo sujo, característica impar deles, estão conseguindo confudir a cabeça das pessoas, principalmente pelos meios de comunicação os quais são os donos, no intuito de dar um golpe contra a democracia.

Começo acreditar que além da direita reacionária do país, há também forças externas querendo nos desestruturar com o objetivo de atingir toda a América Latina. Ja que nas últimas duas décadas vem ocorrendo aqui mudanças significativas desequilibrando a ordem mundial e o Brasil, na atual conjuntura, é visto como peça chave das mudanças. Exatamente como ocorreu num passado recente quando se dizia que era preciso impedir o avanço comunista e nessa guerra ideológica os Estados Unidos, direta e indiretamente causaram uma tremenda barbárie em nossa região apoiando os golpes e na maioria das vezes entregando o poder nas mãos dos militares.

Não podemos permitir que isso venha acontecer novamente. Sabemos muito bem o que representa um governo totalitário militarista. Afinal, muitos foram torturados e mortos defendendo o direito à liberdade e à democracia durante os vinte e um anos de ditadura. Essas páginas de nossa história não podem ser esquecidas, muito menos banalizadas ou tão pouco apagadas, pois, a história será sempre necessária para que os jovens de hoje saibam dos erros e dos acertos do passado para construir um futuro melhor.

 É preciso endurecer, mas sem jamais perder a ternura.
                                                                                                 Che Guevara 

 

 

* Professor, Especialista em Educação e Poeta.

Professor

Professor é quem professa
Quem professa algum conhecimento
Professa o que exatamente?

Pensa poder ser da política independente
Acredita na igualdade de oportunidades
Imagina a escola neutra
Falta-lhe consciência da sua função social
Professa para quem, afinal?

Na sua ignorância não percebe
O porquê dos conteúdos que leciona
O Currículo pronto que sem questionar segue
A ideologia do poder dominante
Que seu tempo é controlado por um relógio
Que o que ensina nem sempre é importante

Na sua ofuscada visão não percebe
Que deve sair das quatro paredes frias
Que fora da sala de aula há canto de pássaros
Sombras de verdes arvoredos respirando vida
Aluno não significa propriamente o sem luz
Que o ser é completo num sistema fragmentado
Que a criança sem imaginação é vítima da televisão

Na sua prática cotidiana não percebe
O que é fundamental nas relações humanas
Que política é essencial na vida em sociedade
Que o educando não é tábua rasa
Que precisa ouvir e acreditar mais

E assim poder reverter este triste fato

Por aí, quem sabe, se conquista a liberdade...

 
Poema de João Crispim Victorio.
Extraído do livro: Sobre o Trabalho que Falo...
19 de fevereiro de 2015.

Dia Internacional das Mulheres
*João Crispim Victorio

Nos relatos bíblicos, do Antigo e do Novo Testamento, encontramos muitas ações de sabedoria, de resistência e de esperança referentes às mulheres. Sabemos, porém, que nesses textos pesam também os preconceitos e as discriminações contra as mulheres. Isso é um marco negativo presente na vida da humanidade e a mulher em razão disso sofreu grandes perdas. Já que ao longo da história, elas estiveram sempre subjugadas às vontades dos homens devido a nossa formação social, milenar, baseada no sistema patriarcal. Cito apenas alguns exemplos, a partir do início de tudo. Não por acaso, Deus criou Eva (mulher) das costelas de Adão (Homem) (Gn 2:21-23), isso é uma demonstração clara de que Deus criou a mulher para estar ao lado do homem.

Seguimos com Sara, mulher de personalidade vigorosa e de vontade própria. Foi hábil, decidida e perseverante na fé. Não desistiu dos seus sonhos. Outra mulher que merece destaque é Débora, dona-de-casa, profetisa e juíza em Israel. Ocupou um cargo político com excelência. Débora traçou estratégias de batalha e conquistou muitas vitórias para Israel (Jz 4:4-10). Foi a libertadora do povo hebreu em tempos de guerra contra os cananeus.

Lembremos-nos da judia Ester. Criada por um parente, a órfã Ester foi a rainha mais importante que Israel teve (Est 2:15-18). Sábia, não se desesperava para tomar decisões. Destemida e ousada de fé admirável, não teve medo de agir. Ester era humilde, em vez de se mostrar a dona da razão, procurava respeitar a opinião dos outros (Est 4:15-17; 7:3-4). Outra figura marcante foi Rute. Pois viveu como estrangeira junto a um povo que possuía hábitos culturais e sociais que não eram os seus. Um povo que estava naquele momento se reencontrando e resgatando suas origens a fim de purificar sua etnia. Rute, portanto, teve que agir com sabedoria, com prudência e humildade junto a sua família e a esse povo. Quando ficou viúva se apegou à sogra pronta para servi-la e acompanhá-la. Rute possuía as virtudes da amizade, da fidelidade, da dedicação e do desprendimento. “Aonde você for, eu também irei. Onde você viver, eu também viverei. Seu povo será meu povo, e seu Deus será o meu Deus”. (Rt 1:16). Esses relatos são apenas alguns exemplos de muitos que podemos encontrar no Antigo Testamento.

No Novo Testamento, temos muitos relatos com a importante participação das mulheres. Vamos nos ater aqui não nos relatos, mas em duas personagens: Maria, a mãe de Jesus (Mt 1:18-19) e Maria, chamada Madalena (Lc 8:1-3; 11:26; Mc 16:9). Essas duas mulheres, cada uma a sua maneira, representam a luta pelo direito a vida, a certeza de que é preciso estar organizado em comunidade e a necessidade de resistir sempre contra qualquer tipo de opressão e, particularmente no caso das mulheres, resistir também contra as imposições preconceituosas de uma sociedade patriarcal. Maria e Madalena tiveram papéis de extrema relevância na trajetória de vida de Jesus e na promoção de uma sociedade de justiça e de fraternidade, ou seja, na consolidação do Reino de Deus.

Podemos observar, por meio dos fatos históricos, relatados na Bíblia a luta de algumas mulheres pela libertação da submissão impostas a elas. Hoje, apesar de vivermos numa sociedade moderna, as coisas não são tão diferentes. Pois, a primeira experiência de preconceito sofrida pela mulher acontece na família, depois na escola e no trabalho.

Em razão de tantas situações de preconceitos e de discriminação, as mulheres se uniram para conquistar respeito e direitos na família, no trabalho e, enfim, na vida. Essa história vem ganhar notoriedade no século XIX, mais propriamente em 1857, com a greve das operárias de uma fábrica têxtil na cidade de Nova Iorque. As operárias depois de presas à fábrica que trabalhavam, cerca de 130 mulheres, foram queimadas vivas. Elas reivindicavam melhores condições de trabalho, diminuição da carga horária de 16 para 10 horas diárias e salários dignos.

Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women's Trade Union League. Esta associação tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho. Cinco anos mais tarde, em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque reivindicando o mesmo que as operárias no ano de 1857, mais o direito de voto. Caminhavam com o slogan "Pão e Rosas", em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida.

Em 8 de março de 1910, na Dinamarca, aconteceu uma conferência internacional de mulheres, onde além de discutirem assuntos de seus interesses, decidiram oficializar a data da conferência, pelo fato de ter sido um marco na organização das mulheres, como uma homenagem àquelas mulheres que foram assassinadas de forma covarde e brutal pelos donos das fábricas têxtil em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas.

No Brasil, com a reforma da constituição federal de 1932, as mulheres brasileiras conquistaram alguns direitos trabalhistas, além do direito ao voto e a cargos políticos no executivo e no legislativo. Dessa época até os dias de hoje, houve alguns avanços na luta das mulheres por reconhecimento do seu valor intelectual e braçal, muitos transformados em lei na Constituição de 1988, outros depois da Constituição e outros caminham em processo no legislativo. Neste sentido, um avanço importante foi a aprovação da Lei Maria da Penha. Vitória das mulheres contra a violência praticada sem punição aos “machões”. Isso vem reforçar a importância da organização e da perseverança na luta contra todo tipo de preconceito e violência.

O dia 8 de março é uma data para ser comemorada como resgate dessas lutas e reconhecimento da dedicação e da entrega, muitas das vezes, da própria vida, de mulheres que não deixaram de se indignar com tantos preconceitos e discriminações. É também um convite à reflexão da vida humana, do papel de cada homem e de cada mulher na sociedade e do que é realmente necessário para uma vida justa e fraterna sem distinção de gêneros.

Março de 2015.
*Professor, Especialista em Educação e Poeta.

A Reforma Trabalhista, o movimento sindical e a vaquinha chinesa. João Crispim Victorio [i]         Este texto tem por objetivo traze...