sábado, 18 de abril de 2015

  Ecologia, sustentabilidade e meio ambiente, são temas atuais e importantes para nosso tempo. Alguns livros são de grande importância para um entendimento mais aprofundado sobre tais temas, dentre eles temos “A Teia da Vida” do físico austríaco Fritjof Capra.
   Capra escreveu vários livros, traduzido para vários idiomas, fazendo um paralelo entre a física moderna  e as filosofias e pensamentos orientais  tradicionais, como o taoísmo, o Budismo e o Hinduismo.
    Em seus livros, Capra compara o  pensamento cartesiano, reducionista, modelo para o método científico desenvolvido nos últimos  séculos, e o paradigma emergente do século XX,  holista ou sistêmico, em vários campos da cultura ocidental atual, como a medicina, a Biologia, a Psicologia e a Economia.
    A Teia da Vida, livro de 1996, apresenta novas e estimulantes perspectivas sobre a natureza da vida e abre caminho para a autêntica interdisciplinaridade. As descobertas citadas por Capra confrontam os paradigmas mecanicistas e darwinistas aceitos e proporcionam uma nova base para políticas ecológicas que nos permitam pensar em construir e sustentar comunidades sem colocar em risco as oportunidades para futuras gerações.


E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...











Florestan Fernandes, em A revolução burguesa no Brasil,  contempla um amplo período histórico que se estende do movimento da Independência, momento de constituição da nação, aos desdobramentos do golpe militar de 1964, período de enraizamento final dos valores burgueses.
O livro retrata  a crise do poder burguês. Uma vez que a classe não conciliou revolução econômica e revolução nacional, coube ao Estado a tarefa de ser o elo entre os interesses privados e o poder público, debilitando o seu papel político abrangente. Ao perpetuar-se o drama de origem da nossa formação burguesa, emergiu deformidade histórica geradora de uma identidade que escapa à caracterização canônica.
Os principais temas abordados neste livro são: As origens da Revolução Burguesa; A formação da ordem social competitiva e Revolução burguesa e capitalismo dependente.

Os Originários das Terras Brasileiras

João Crispim Victorio[i]

           Pode parecer estranho, à primeira vista, falar dos povos originários das terras brasileiras tomando por base as duas principais teorias sobre a origem da vida. A Teoria criacionista, elaborada a partir de conceitos judaico-cristãos que se encontram na Bíblia e a Teoria evolucionista, baseada nos estudos do cientista inglês Charles Darwin. Teoria, esta, marcada por discussões polêmicas sobre as origens do Universo e da própria Humanidade entre Ciência, Filosofia e Religião. Mas para começarmos do início e nos orientarmos num processo lógico do surgimento e do espalhamento do ser humano sobre a Terra, particularmente nas Américas e por fim ao Brasil, nos parece interessante partir das origens do Universo e consequentemente da Humanidade, já que esses assuntos vêm sendo discutidos há séculos e até hoje não existe consenso sobre os mesmos.

Segundo a Teoria criacionista, Deus é o arquiteto criador do Universo, “No princípio, criou Deus o céu e a terra” (Gn. 1,1)[1]. Com o passar do tempo Deus continuou criando e criou as aves, as ervas, o sol, a lua e, por fim, “Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn. 1, 27). Para Ciência a criação do Universo pode ser explicada por quatro teorias: a Teoria Inflacionária; a Teoria do Estado Estacionário; a Teoria do Universo Oscilante ou a Teoria do Big Bang[2]. Tomaremos por base, aqui, a Teoria da Grande Explosão, por ser a mais conhecida e a mais aceita no meio acadêmico. Nesse sentido, após o surgimento do Universo, em uma atmosfera propícia, surgem as primeiras formas de vida.

De acordo com a Teoria evolucionistas as primeiras formas de vida dão origem a todos os seres vivos que existem hoje. E, isso, só é possível por meio da evolução individual das espécies, a partir um ancestral comum. As mudanças ocorridas e as diferenças entre as espécies deram-se pelo processo de seleção natural, ou seja, os indivíduos que melhor se adaptam ao meio sobrevivem e deixam descendente, que, por sua vez, também sofrem alterações biológicas, deixando novos descendentes.

Sendo assim, podemos perceber que a questão sobre as origens da Humanidade nos remete a um amplo debate, no qual Filosofia, Religião e Ciência contribuem com suas diferentes concepções. Mas por se tratar de um tema polêmico, que envolve várias áreas do conhecimento e, portanto, inacabado, cabe a cada um escolher a corrente explicativa que lhe parece mais plausível. No nosso caso importa saber como a Humanidade se espalhou sobre a Terra, já que a impressão que nos dá os livros de História, principalmente em se tratando da época da expansão territorial europeia, por meio das grandes navegações, é de que só existia gente, seres humanos, na Europa.

Muito antes da passagem de Cristóvão Colombo pela América e da chagada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, toda essa região já era habitada por diferentes povos que aqui viviam de acordo com suas culturas e costumes. Esses povos foram denominados, de forma genérica, por isso, equivocada, pelos europeus, como índios[3]. “Esta denominação, usada até hoje, às vezes dá uma impressão errada, como se uma única palavra designasse um único povo, com uma só cultura e até com o mesmo tipo físico” (FREIRE e MALHEIROS, 2010)[4].

Até hoje não há consenso sobre como e quando a América foi povoada. As teorias sobre este assunto levantam várias hipóteses, muitas das vezes divergentes. Para os arqueólogos Neves e Hubbe (2005)[5], a América foi povoada em duas grandes migrações: a primeira, a cerca de 14 mil anos, de povos com traços físicos africanos e australianos, e a segunda, há 11 mil anos, de povos com traços asiáticos. As duas migrações teriam ocorrido pelo Estreito de Bering, entre a Ásia e América. Por isso, quando os portugueses aqui chegaram acreditando que estas terras eram desabitadas, foram surpreendidos ao se depararem com os nativos. Estavam na verdade refazendo o que outras populações havia feito em períodos anteriores.

Segundo Azevedo (2011)[6], “no século XVI havia no Brasil de 2 a 4 milhões de pessoas, pertencentes a mais de mil povos diferentes”, com crenças, hábitos, costumes e formas de organização sociais específicas. Falavam cerca de 1.300 línguas que eram agrupadas em dois grandes troncos linguísticos principais: o Tupi-Guarani (Arikém, Awetí, Juruna, Mawé, Mondé, Puroborá, Mundurukú, Ramarama, Tuparí) e Macro-jê (Bororó, Krenák, Guató, Jê, Karajá, Maxacalí, Rikbaktsá, Ofayé, Yatê). Cerca de mil delas se perderam por diversos motivos, entre os quais a morte dos índios, em decorrência de epidemias, extermínio, escravização[7], falta de condições para sobrevivência e aculturação forçada.

Segundo o Censo 2010 do IBGE, foram registrados 896,9 mil indígenas, 36,2% em área urbana e 63,8% na área rural. 305 etnias, das quais a maior é a Tikúna, com 6,8% da população indígena. Também foram identificadas 274 línguas indígenas. Isso, sem contar os índios isolados, que por estarem sem contato com a sociedade não puderam ainda ser conhecidas e estudadas. Hoje algumas dessas línguas continuam sendo usadas, num certo sentido, por cariocas e fluminenses, muitos dos quais nem desconfiam disso, pois a língua portuguesa, falada no Brasil, incorporou muitas palavras indígenas: nomes de lugares, de animais, de vegetais, ervas, flores, plantas, enfim de toda a flora e fauna. (FREIRE e MALHEIROS, 2010).

Antes de 1500, não existia um território chamado Brasil, não existiam as fronteiras, como as que existem hoje, separando os países que formam a atual América. Não existia um povo chamado brasileiro, muito menos fluminense ou carioca. No momento da chegada dos primeiros europeus, os índios viviam em aldeias espalhadas por todo o território. Segundo Bessa e Malheiros (2010, p. 11) “A aldeia era a maior unidade política das sociedades indígenas. Cada uma delas tinha autonomia e reconhecia como autoridade maior o seu chefe, tuxaua, morubixaba ou cacique”.

Nesse período, no Rio de Janeiro, destacavam-se os Tupi, que viviam no litoral, por isso, foram os primeiros a terem contato com os colonizadores e os Puri que viviam espalhados entre o litoral e as florestas do outro lado da Serra dos Órgãos, nas margens dos rios Piabanha e Paraíba. Os Tupi e os Puri, apesar de algumas diferenças estruturais e de organização social interna, tinham em comum locais estratégicos de construção. Esses índios nos deixaram um legado de alternativas de sobrevivência, transmitindo as “ciências e tecnologias” que desenvolveram por milhares de anos nas plantações, na caça e na pesca.

 Tupi e Puri reúnem os povos historicamente mais importantes do Rio de Janeiro, que por ocuparam vastas extensões territoriais contribuíram para a formação étnica do povo fluminense. Mas o processo histórico de conflitos violentos culminou no extermínio quase que total desses povos. São perdas irreparáveis, como explica o etnobiólogo norte-americano Darrell Posey[8], "com a extinção de cada grupo indígena, o mundo perde milhares de anos de conhecimentos acumulados sobre a vida e a adaptação a ecossistemas tropicais".

Para o Professor Bessa[9], se não tivermos um conhecimento correto sobre a história indígena, sobre o que aconteceu na relação com os índios, não poderemos explicar o Brasil contemporâneo. No entanto, constatamos que muito pouco foi feito para conhecermos a história indígena. A produção de conhecimentos nesta área não condiz com a importância do tema. As pesquisas são de uma pobreza franciscana. O resultado disso é a deformação da imagem do índio na escola, nos jornais, na televisão, enfim na sociedade brasileira. Ou seja, muitas pessoas têm ideias equivocadas referentes aos índios. Mas essa é outra história.


[1] Os textos bíblicos citados são da Bíblia do peregrino da editora Paulus.
[2] Teoria da Grande Explosão foi anunciada em 1948, pelo cientista russo naturalizado estadunidense, George Gamow (1904-1968) e o padre e astrônomo belga Georges Lemaître (1894-1966). Segundo eles, o universo teria surgido após uma grande explosão cósmica, entre 10 e 20 bilhões de anos atrás. O termo explosão refere-se a uma grande liberação de energia, criando o espaço-tempo.
[3] Segundo Sara Brandon (2005), desde que Cristóvão Colombo atingiu a ilha de San Salvador, nas Bahamas, em 1492, e denominou os habitantes de “índios”, porque acreditava ter atingido o leste das Índias, o conceito foi lapidado, impregnando o imaginário da sociedade dominante e desumanizando diversos povos nativos das Américas.
[4] José Ribamar Bessa Freire e Márcia Fernanda Malheiros - Os Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro.
[5] Walter Alves Neves e Mark Oliver Rohrig Hubbe (2005), Luzia e saga dos primeiros americanos.
[6] Marta Azevedo (2001), Povos Indígenas no Brasil-ISA. Quantos eram? Quantos serão?
[7] Quando se fala em escravo, grande parte das pessoas pensa no negro, mas, na realidade, os primeiros escravos do Brasil foram os índios, também chamados na documentação oficial de “negros da terra” ou “gentio da terra”.
[8] Posey, Darrell A. : Etnobiologia: teoria e prática. in Suma Etnológica, tomo I, Etnobiologia. Vozes/Finep. 1986. Petrópolis.
[9] Palestra proferida em 2002, no curso de extensão de gestores de cultura do município do Rio de Janeiro, organizado pelo Departamento Cultural.


[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta.