domingo, 20 de novembro de 2016

Consciência

Negro, erga a cabeça
Assuma, assuma negro
A cor da pele do Rei...

Zumbi não morreu
Vive aqui e agora
Com certeza é negro
Negro desde quando nasceu
Assuma negro
A cor da pele do Rei...

Negro, erga a cabeça
Assuma, assuma negro
A luta justa do Rei...

Zumbi está contigo
Está aqui e agora
Com certeza luta
Luta porque sempre lutou
Luta negro
A luta justa do Rei...

Negro erga a cabeça
Assuma, assuma negro
O grito forte do Rei...

Zumbi está vivo
Nos campos e nas cidades
Com certeza grita
Grita por seus filhos amados
Grita negro, o grito forte do Rei...


Poesia de João Crispim Victorio, escrita nos anos 90 em homenagem á Geraldo (Gege). Hoje, padre Geraldo (Gege).

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Capitalismo

Onde chegou o homem
Na pobreza de espírito, na miséria da alma
Chora, chora por emprego, por comida
Por cachaça para esquecer as desgraças...

Quantas injustiças!
Desagregação humana...
Quem é seu próximo?
Somos todos individualistas
Vivemos em competição...

Os homens no poder exploram a miséria alheia
Constroem obras faraônicas, nem sempre necessárias...
No abandono morrem nossas crianças.

Vivemos numa democracia?
Temos liberdade de expressão?
Claro que não.

O salário dos trabalhadores
Está de acordo com a ganância do patrão
Estamos descaracterizados pelo consumo
Violência por todos os lados...

A que ponto chegamos...
Sociedade de extrema desigualdade
Direitos básicos negados
Respeito é coisa do passado
Poucos são os privilegiados
Muitos são os marginalizados...

Somos corruptos e corruptores
Vivemos alienados...
Acreditamos na individual felicidade
Desconhecemos nossa diversidade...

Somos um barco à deriva, num mar de ilusões
Num mundo real teremos chance?
Não, no perverso sistema do capital.


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Trabalho que Falo...


Rio, 02 de Novembro de 2016.