quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Contemplação

Belo sol
Luz intensa que ilumina o dia
A noite por reflexo da parceria...

Parte importante na origem a vida
Terra que só é possível por sua energia...

Astro guia...

Belo sol
Fonte de calor que nunca cessa
Centro do pequeno sistema no grande universo...

Morada de Tupã
Protegido e guardado por Guaraci...

Aram dos tupi e dos Guarani...

Belo sol...

Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que Falo...

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

       


       O livro aborda, por meio da poesia, nossa vida cotidiana, o amor, a amizade, a natureza e a espiritualidade. Trata desses assuntos através das dimensões política, social, econômica e romântica.
       Aborda, também, a esperança utópica e necessária para construção de um país justo, livre dos preconceitos e das discriminações. Por fim, aborda a ousadia que nos movimenta, faz levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.
Reflexões

Que fim terão os animais
As florestas e os mares
O planeta Terra
Todo o universo?

Que fim terá a humanidade
As pessoas que falam de paz
As religiões e irmandades
Os sonhos de igualdade?

Que fim terão as flores
Seus perfumes e suas cores
Os imensos campos
Os jardins de nossas casas?

Que fim terá a vida
O belo Rio de Janeiro
Suas lindas cachoeiras
Suas grandes ilhas?

Uma nova explosão será possível
Qual a sua teoria?


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que Falo...
FORA TEMER


FORA TEMER


FORA TEMER,  SÓ PARA LEMBRAR...


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Brisa

Mergulhe fundo
Viva como nunca
Vá de braços largos
Cabeça erguida
Vá de cabelos soltos
Cara limpa

Desnudo...

Deixe o vento te conduzir
Vá livre de pretensões
Reveja suas manias
Seja amigo de todos
Procure o novo
Vá de peito aberto

Desarmado...

Vá sem demora
Erga as velas
Sue a camisa
Sempre há esperanças
Aproveite o vento a favor
Vá como criança

Por amor...


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que Falo...

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Exclusão

Os olhos fundos da criança piscavam lentamente
Puxando leite do peito seco da mãe
Por entre os seus primeiros dentes

Madrugada...

Dentro do túnel
Famílias inteiras abandonadas
Vítima do lucro de pouca gente

Vidas sem rumo
Sistema excludente
O que esperar dessa gente

Fevereiro...

Segunda-feira
Desculpem-me
Muitos não têm tempo para pensar nisso

Anseiam por suas fantasias
Somos todos passistas
Atrás de emprego

Bloco do menos-valia...


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que Falo...

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Classe trabalhadora: desafios de ontem e de hoje.
João Crispim Victorio*

          Um dos desafios da classe trabalhadora contemporânea é, sem sombra de dúvidas, manter seus poucos direitos conquistados por meio das muitas lutas. Direitos que ao longo do tempo vêm sofrendo alterações, nem sempre favoráveis aos trabalhadores. Falo dos que estão na Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT. Outro desafio é o de manter nosso maior legado, os sindicatos. Já que, os mesmos, desde os anos 30, do século passado, vêm sofrendo descaracterização devido a seu atrelamento ao governo central por meio do Ministério do Trabalho. Temos resistido bem, apesar da tímida participação dos trabalhadores nos seus sindicatos.
          Mas é a partir da primeira década do século XXI que estamos enfrentando intensos ataques aos movimentos sociais e entre estes o sindical. Hoje, como podemos ver, as reformas trabalhistas são um duro golpe na classe trabalhadora, pois as mesmas foram elaboradas, segundo os interesses da classe empresarial. O pior é que as reformas estão sendo defendidas pelo poder executivo, em comum acordo com grande parte do poder legislativo e judiciário. Além de que tais reformas são anunciadas pelos meios de comunicação como o único recurso para salvar o país do desemprego e consequentemente da miséria e do atraso. Mas na verdade todas estas manobras têm por objetivo final enriquecer os mais ricos favorecendo ao programa capitalista neoliberal.
          Tivemos nossos momentos de esperança durante os últimos 14 anos, mas acredito que cometemos um grande erro ao optar por uma política de inclusão social sustentada, quase que prioritariamente, por um modelo de consumo e não de politização e conscientização da classe trabalhadora. Vimos, muito de perto, o resultado disso, um povo sem entender o processo político pelo qual atravessa, consequentemente se tornando fraco. Por isso, a antiga elite oligárquica e escravocrata brasileira, que agora aposta tudo no capital financeiro[1], apesar de não estar diretamente no comando político, exerce o poder econômico para garantir seus interesses. Logo, organizaram-se e sem muitas resistências deram o golpe de estado, deixando o povo atônito com uma sensação de impotência e de desânimo.
          Para nós, trabalhadores da educação, a situação é ainda mais complexa, pois, além de lutar por um sindicato forte e representativo, temos ainda que nos preocupar e estar atentos às propostas de modificação das leis do sistema educacional brasileiro que vêm dessa elite golpista. Estes estão precarizando ainda mais o nosso trabalho através de projetos absurdos de caráter fascistas, como por exemplo, o projeto da Escola Sem Partido. Ele fere de morte nossa sociedade que nos últimos tempos vinha começando a compreender e a vivenciar a democracia como forma de organização social, graças a uma estrutura básica mínima de formação educacional, dos governos Lula e Dilma.
          Outros conflitos que devemos levar em consideração estão relacionados com as divisões dos partidos políticos do campo da esquerda e das religiões. No caso dos partidos, parece-me que cada um se ocupa única e exclusivamente com seu projeto salvífico, esquecendo-se, porém, de incluir neles a maioria do povo. Enquanto que os grupos religiosos, principalmente os neopentecostais, vêm construindo, no anonimato e ao longo do tempo, um projeto político de poder para o Brasil, mas, também, deixando de fora o povo.
          No geral, tanto os partidos políticos, quanto às denominações religiosas, assim como toda e qualquer organização social, incluindo aqui nossas escolas, são formadas por pessoas que são reflexos de nossa sociedade. Ou seja, homens e mulheres, na sua maioria, egoístas, preconceituosos, corruptos e carentes de uma boa formação acadêmica. Nós professores, sabemos bem das dificuldades que encontramos em nossas escolas para desenvolver alguns trabalhos culturais, particularmente os ligados ao nosso folclore, devido à resistência de alguns alunos e, até mesmo, de alguns professores devido ao baixo capital cultural[2].
          Dessa forma, muitos de nós perdem a vontade de participação nos partidos políticos, nos sindicatos ou qualquer outra organização social, principalmente no campo da esquerda. Por outro lado, as igrejas estão cada vez mais cheias de gente sem compromisso com a justiça social ficam esperando que Deus, milagrosamente resolva todos seus problemas. Assim vamos perdendo a identidade histórica e cultural. E um povo sem identidade é um povo fadado a ser facilmente dominado. Não nos enganemos, não sejamos ingênuos e nem subestimemos as organizações religiosas pentecostais e alguns grupos de direita que atuam na frente de alienação e desestruturação social a fim de enfraquecer a luta das esquerdas em nosso país.
          Temos muitos desafios a enfrentar enquanto cidadãos, homens e mulheres engajados socialmente por uma nova sociedade justa e solidária. E o primeiro e, a meu ver, o mais importante desafio é a luta que devemos travar em nossas associações partidárias e sindicais com relação às questões de gênero, étnicas e religiosas no intento de nos tornarmos um coletivo, ou seja, começarmos as mudanças em nós mesmos para que cheguemos ao próximo com os nossos bons exemplos.


Rio de Janeiro, 04 de agosto de 2017.



*Professor, Especialista em educação e Poeta.



[1] Capital financeiro é o casamento do capital bancário com o capital produtivo, sendo que o primeiro exerce uma função de dominação em relação ao segundo. Este casamento tem provocado, historicamente, mudanças no padrão de acumulação da economia tanto na esfera mundial, como na esfera local. Ou seja, A dinâmica capitalista foi alterada, o processo de acumulação do capital reconfigurado na lógica dos ganhos especulativos advindos das transações financeiras do que propriamente pela via do financiamento produtivo.
     Os principais atores desta estrutura são os bancos e os chamados investidores institucionais. Gente que no passado formavam a antiga elite oligárquica e escravocrata brasileira e que hoje são os maiores investidores nos fundos de pensão, fundos de investimentos, fundos especulativos etc. Na atual conjuntura, isto nos permite compreender a lógica especulativa do capitalismo contemporâneo que em sua totalidade, não tem limites.

[2] Para o sociólogo francês Pierre Bourdieu, numa sociedade de classes a cultura é considerada uma moeda que as classes dominantes utilizam para perpetuar as diferenças. Ou seja, a cultura se transforma em um instrumento de dominação. Diferente de alguns capitais que podemos acumular, o capital cultural acumulamos na educação, por meio dos conhecimentos apreendidos em geral.
     O processo de acumulação do capital cultural se inicia na infância com os pais incentivando o hábito da leitura em seus filhos dedes pequenos. Assim, seus filhos saem em vantagem, já que tiveram contato com a literatura desde cedo. Então, segundo o sociólogo, o ensino não é transmitido da mesma forma para todos os alunos como a escola faz parecer. Os alunos dás classes sociais mais favorecidas têm em seus processos de aprendizagem uma certa vantagem em relação aos das classes menos favorecidas. Pois frequentam museus, cinemas, exposições de artes, saberes e informações que são acessíveis.
     Nesse sentido, a classe dominante impõe a classe dominada sua própria cultura. Bourdieu chamou esse fenômeno de arbitrário cultural dominante. Ou seja, uma cultura se impondo sobre outra.






sexta-feira, 21 de julho de 2017

A Reforma Trabalhista, o movimento sindical e a vaquinha chinesa.
João Crispim Victorio[i]

        Este texto tem por objetivo trazer para o debate político a trajetória do movimento sindical brasileiro desde suas origens, virada do século XIX para o XX, até sua organização atual. O contexto histórico em que se dá este processo é marcado por momentos, nada muito fácil de entender. Pois trata-se de complexos conflitos políticos, econômicos e sociais. É relevante para nossa discussão, iniciarmos com a chegada dos imigrantes estrangeiros, como forma de transição do trabalho escravo ao trabalho assalariado capitalista no Brasil. Desta forma, faremos um breve passeio por nossa história.
        A classe operária brasileira surge com o final da escravidão. Consequentemente dando início ao trabalho assalariado fabril. Esta classe operária nasce sob a influência das experiências dos trabalhadores qualificados europeus, no início do século XX, de pensamento anarquista, comunista e socialista. Estes trabalhadores passam a se reunir em associações de classe, que organizaram nas principais cidades brasileiras, nas quais futuramente culminam na primeira Confederação Operária Brasileira - COB.
      Tais associações, posteriormente passam a sindicatos, eram organizadas pelos trabalhadores que não tinham nenhum tipo de remuneração. Agiam de acordo com suas ideologias priorizando atividades no campo da educação e da cultura, buscando conscientizar os trabalhadores da luta por seus interesses específicos e também da luta para transformações sociais. Entendiam os sindicatos e as greves como formas associadas de lutas eleitorais e parlamentares, na perspectiva da transformação do Estado. Para tanto, realizavam campanhas para obtenção de fundos financeiros em solidariedade às lutas operárias em outros países, a operários em greve e a operários estrangeiros que eram expulsos do Brasil.
        Dentro deste contexto, o movimento sindical brasileiro, desde o nascimento, segue seu caminho de intensas lutas. Já, durante a República[1], na sua primeira fase chamada de República Velha, que nasceu de um golpe de estado sem a participação das classes menos favorecidas, diga-se de passagem, dos indígenas e dos negros escravos, abandonados à própria sorte depois da abolição. Indígenas e negros que eram, em quase sua totalidade, pessoas analfabetas, só sabiam trabalhar nas lavouras. Com o advento das fábricas e não havendo mão de obra qualificada no país para tocá-las, intensifica-se a imigração para resolver o problema. Nesta época os sindicatos têm duros enfrentamentos. Pois, as elites escravocratas transferiram a exploração, que no passado se dava nas lavouras, para o chão das fábricas.
          A partir da Era Vargas[2], o movimento sindical sofre um terrível golpe. Até então os sindicatos que agiam de maneira independente, passam a ser tutelados pelo Estado. Isso se dá com a criação do Ministério do Trabalho e da publicação da Lei da Sindicalização. Surge o corporativismo sindical, já que, os sindicatos passam a ser organizados por categoria profissional e não mais por ramo de atividade econômica. Desta forma tem início uma nova etapa na história do movimento operário brasileiro.
           As leis sociais e trabalhistas, bandeiras de lutas dos trabalhadores durante décadas, agora são promulgadas pelo governo Vargas. Neste período é criada a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT[3], que vem garantir a tutela do Estado nas negociações entre empregados e empregadores. Nesta nova estrutura, um elemento fundamental foi o imposto sindical[4], definido como um dia por ano de salário obrigatoriamente pago por todo operário sindicalizado ou não. O imposto é recolhido pelo Ministério do Trabalho e distribuído aos sindicatos. Este dinheiro se transformou em meio de sobrevivência de muitos sindicatos que deixaram de lado a luta de classe e a luta por garantias salariais e estruturais da categoria que representam, tornando-se sindicatos pelegos.
          Não tenho dúvidas que a reforma trabalhista, proposta neste momento, foi a forma encontrada por uma elite empresarial brasileira, que continua escravagista, de adequar o trabalho aos interesses do mercado e do grande capital. Pois sabemos que o sistema capitalista e as grandes corporações multinacionais ao longo das duas últimas décadas vêm atravessando crises profundas e querem a qualquer preço se recuperarem. Isso significa dizer que alguém vai ter que pagar o pato, o problema é que quem paga é sempre o mais fraco da história, neste caso, a reforma sacrifica apenas um lado, o lado do trabalhador.
        Mas neste caso, consigo ver uma coisa boa. A reforma trabalhista traz o fim do imposto sindical. Será que isso não seria bom para o movimento sindical atual? Pois sabemos que muitos sindicatos não representam ninguém. Existem há anos alimentando um bando de parasitas encastelados em prédios luxuosos, justificando a exploração do operário por seu patrão. Será que o fim do imposto sindical não obrigará os acomodados a se mexerem? Será que não vai afastar os oportunistas que só veem no sindicato um meio de sobrevivência financeira? Acredite existem muitos.
      Este imposto sindical me faz lembrar uma antiga fábula chinesa que acredito ser bastante significativa para o atual momento político. A fábula fala de um velho monge e seu discípulo que costumavam fazer visitas as pessoas que moravam em vilarejos distantes da cidade. Numa dessas visitas, eles perceberam que anoitecia e ainda estavam muito distantes do vilarejo para onde iam. Então avistaram um sítio e lá pediram pousada para aquela noite.
         O sítio era muito simples. Viviam ali um casal humilde e seus três filhos, raquíticos. A pobreza do lugar era visível, mas mesmo assim, eles acolheram a dupla de viajantes. Curioso o monge indagou ao casal de como eles conseguiam sobreviver ali. O dono da casa respondeu que tinha uma vaquinha milagrosa que dava vários litros de leite todos os dias, uma parte ele vendia e a outra trocava na cidade, por alimentos ou coisas que necessitava.
        De manhã cedinho o monge e seu discípulo agradeceram a hospitalidade e foram embora. Assim que saíram do sítio, o mestre ordenou ao discípulo que pegasse a vaca e a atirasse num precipício. O jovem, surpreso, ficou chateado com a atitude desumana do seu mestre, relutou um pouco, mas limitou-se a cumprir a ordem.
         Alguns anos depois, o jovem discípulo, retornando a região, resolveu passar no sítio daquela família que lhes hospedara. Chegando lá ficou espantado ao observar que o local havia mudado radicalmente. O casal era o mesmo, mas estava feliz. As crianças cresceram, já eram adolescentes, estavam bonitas e bem nutridas. Tudo havia se transformado para melhor. O jovem discípulo ficou pasmo diante de tudo o que viu, graças a perda da vaquinha.
      Neste sentido, vejo o imposto sindical, além de como um câncer que causa uma relação de dependência entre os movimentos operários e o Estado, como uma vaquinha que já passava da hora de ser jogada do precipício. Ou seja, quem sabe não é hora de voltarmos às origens do movimento sindical, deixando de fora os vícios antidemocráticos e pouco éticos e passamos a fazer de fato um sindicalismo politizado, representativo, participativo e democrático.




Rio de Janeiro, 18 de Julho de 2017.




[1] A Proclamação da República do Brasil foi um levante político-militar que derrubou a monarquia pondo fim á soberania de D. Pedro II. Ocorreu em 15 de novembro de 1889. A República Velha, termo dado em oposição à República Nova, foi o período da história do Brasil que se estendeu de 1889, até a deposição de Washington Luis em 1930.

[2] Getúlio Vargas foi presidente do Brasil em dois períodos. O primeiro de 15 anos ininterruptos, de 1930 até 1945 e o segundo de 1951 a 1954.

[3] A Consolidação das Leis do Trabalho - CLT é uma lei referente ao direito do trabalhador e ao direito processual do trabalho. Foi criada através do Decreto – Lei nº 5 452, de 1º de maio de 1943 e sancionada pelo então presidente Getúlio Vargas durante o período do Estado Novo, unificando toda legislação trabalhista então existente no Brasil.

[4] A contribuição sindical ou imposto sindical é uma contribuição social, referente um dia/ano de salário, recolhido pelo Ministério do Trabalho e distribuído aos sindicatos que deve ser paga obrigatoriamente por todos os trabalhadores independentemente de serem ou não sindicalizados.

[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Matéria, origem e constituição.
João Crispim Victorio[i]


     A filosofia da natureza trata do conhecimento das primeiras causas e dos princípios do mundo material. É a precursora das ciências naturais, constituída nas áreas das ciências que visam estudar a natureza e suas leis mais gerais e fundamentais. Tais estudos concentram-se especificamente nos aspectos físicos e não no humano ou comportamental. Embora, não podemos ignorar que, em se tratando das para as ciências naturais, na sua forma abrangente, o ser humano é parte integrante da natureza e, por isso, sujeito as leis que regem todos os acontecimentos físicos, químicos e biológicos no universo.
     Nesse sentido, a filosofia da natureza, durante muito tempo, foi quem tratou de desenvolver e descrever os estudos dos fenômenos naturais, numa concepção empírica[1]. Pois, seu foco era os movimentos e as mudanças que ocorriam naturalmente, tal como a geração, o crescimento, a queda dos corpos e os movimentos circulares dos corpos celestes. Já o termo ciência só vai surgir no início da modernidade, durante a Revolução Científica[2]. O mesmo foi caracterizado pelo interesse na técnica e na ciência experimental, por meio da metodologia que garante o conhecimento e tem desdobramento prático para a sociedade e para a vida humana.
     Dentro de todo esse contexto, a matéria, desde os primórdios, vem sendo objeto de estudo do ser humano. Tales, por exemplo, acreditava que a água era a materia fundamental para a existência de todas as coisas; Heráclito acreditava que os corpos celestes eram feitos de fogo; Anaxímenes acreditava que a partir do ar se poderia criar fogo, água e terra; Empédocles identificou os elementos formadores de todas as coisas como fogo, ar, terra e água; Leucipo e Demócrito são considerados os pais dos átomos[3], as partículas fundamentais na formação da matéria; e Aristóteles, que passou adotar os quatro elementos de Empédocles, acrescentando o éter, como um quinto elemento. Tornando-se o primeiro a criar um conceito de matéria e forma com base filosófica sólida.
     A ciência moderna desenvolveu a Teoria do Big Bang para explicar o início de todo o universo. Sustenta a teoria que o universo surgiu a partir da grande explosão de uma partícula sólida, criada a partir da concentração de varias substâncias. Essa imensa partícula chega à exaustão e ao explodir espalha, em forma de poeira cósmica, as matérias já existentes e devido ao ambiente propício vai formando novas outras que vão se espalhando e ao mesmo tempo se reagrupando em novos corpos celestes. Segundo a teoria, esse processo continua acontecendo lentamente.
     Então, a matéria foi esfriando e os átomos foram se condensando formando os corpos celestes como as estrelas e os planetas. Dessa forma, sugere que a matéria está em tudo, sendo assim, a matéria ocupa um lugar no espaço, possui massa e, portanto, volume. Em termo geral a matéria pode ser constituída por uma ou várias substâncias que, por sua vez, são formadas devido às interações que ocorrem naturalmente entre os átomos.
     As substâncias formadoras da matéria podem ser consideradas como simples, constituídas por átomos de um mesmo elemento químico ou compostas, constituídas por dois ou mais átomos de diferentes elementos químicos. Os átomos quando interagem, de acordo com suas classificações periódicas de metais ou ametais, formam os compostos moleculares ou iônicos[4] que, também, interagem entre si, por meio das forças intermoleculares consolidando uma determinada substância. Ou seja, uma substância é formada por moléculas ou aglomerados iônicos que tem na sua essência os átomos iguais ou diferentes que interagiram entre si.
     Quando nos referimos aos elementos químicos é bom saber que estamos falando apenas de um pouco mais de uma centena deles e não podemos confundi-los com os átomos em si, pois, um elemento químico é formado por um conjunto muito grande de átomos iguais. E graças a enorme possibilidade de suas mais diversas ligações, que temos o universo do jeito que o conhecemos. Isso só é possível devido à dança dinâmica e perfeita do universo que leva tais átomos a buscar afinidade química e, por fim, a estabilidade eletrônica[5].
     Voltando a matéria, podemos dizer que não há um só significado científico que seja consenso para definir matéria e muitas das vezes o termo é usado de maneira incompatível. Na concepção de Aristóteles matéria é algo que está sendo formado, em contraste com a concepção moderna de matéria que sustenta estar ocupando lugar no espaço. Outra dificuldade, por exemplo, consiste em decidir quais formas de energia não são matéria e a física e a química concebem que há uma dualidade[6], a matéria tem propriedades ora de onda, ora de partícula.
     É importante notar, então, que a ciência está em constante evolução, várias teorias são construídas e outras caem por terra desde a Antiguidade, passando pela Idade Média, Moderna e a atual Contemporânea. A ciência e a tecnologia evoluem de forma concomitante com a sociedade. Mas nos últimos tempos, tem havido a necessidade de uma reflexão sobre a palavra evolução, no sentido da preservação da natureza, da espécie humana e de todos os seres vivos que habitam esse planeta tão negligenciado por todos nós.


                                                                   Rio de Janeiro, 29 de Junho de 2017. 


Referencias:

Marcos Braga, Andreia Guerra e José Claudio Reis. Breve história da ciência moderna. Vol. 1,2,3 e 4. Rio de Janeiro - RJ, Jorge Zahar, 2003.

A.R. ROSSETTI. Quimicamente Falando. 2ª Ed. Porto Alegre – RS, Editora Solidus, 2004.

Disponível em < www.cdcc.usp.br/exper/medio/quimica/1compostosg_1.pdf> acesso em 26/6/2017.


Disponível em < https://www.significados.com.br> acesso em 29/6/2017.


[1] Fato que se apoia em experiências vividas e não em teorias e métodos científicos.

[2] Período no qual mudanças históricas na forma de pensamento e de fé ocorreram na Europa, entre os anos de 1550 e 1700. Iníciou com Nicolau Copérnico, modelo heliocêntrico, e terminou com Issac Newton, Leis universais da natureza.

[3] Leucipo e seu discípulo Demócrito (séc. V a.C), desenvolveram a teoria atomista que defendia que todos os objetos conhecidos são, na verdade, diferentes arranjos de átomo. A palavra “átomo” vem do grego (a=não, tomo=divisão) e significa “algo que não pode ser dividido”, pois se acreditava que os átomos eram indivisíveis e a matéria era composta por essas minúsculas partículas elementares, de várias formas e tamanhos.

[4] Os compostos iônicos são formados por átomos dos elementos químicos metais e ametais, a força de atração elétrica mantém os cátions (metais) e os ânions (ametais) firmemente ligados uns aos outros. Já os compostos moleculares são formados por átomos dos elemento químicos ametais e possuem somente ligações covalentes entre esses átomos.

[5] A estabilidade eletrônica está baseada na “regra do octeto”. Regra que sugere a quantidade de 8 elétrons na camada de valência de um átomo para que o mesmo fique estável. Dessa forma, os átomos realizam ligações químicas, formando os compostos, ganhando, perdendo ou compartilhando os elétrons de suas camadas de valências.

[6] No começo do século 20, Albert Einstein, ao estudar o efeito fotoelétrico, exibiu um comportamento corpuscular da luz. Esses estudos previram e confirmaram a difração, efeito tipicamente ondulatório, dos elétrons. Na escala atômica, de repente tornou- se complexo explicar essa aparente dualidade partícula-onda da luz. Esta situação persistiu até o advento da mecânica quântica, que conseguiu unificar teoricamente o comportamento dual partícula-onda não só da luz, mas da matéria de uma forma geral.

[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Oswaldo Gonçalves Cruz nasceu em São Luiz de Paraitinga, São Paulo, no dia 5 de agosto de 1872. Filho de Bento Gonçalves Cruz, médico carioca e de Amélia Bulhões da Cruz. 
Iniciou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1887 e em 1892 concluiu o curso.
 

Oswaldo Cruz foi médico sanitarista, bacteriologista e epidemiologista. Morreu de insuficiência renal, no dia 11 de fevereiro de 1917, em Petrópolis, Rio de Janeiro.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901. Órfã de pai e mãe, aos três anos de idade é criada pela avó materna. Formou-se professora e exerce o magistério em escolas oficiais do Rio de Janeiro.




Cecília Meireles faleceu em 1964, foi poeta, professora, jornalista e pintora. Foi a primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira.

sábado, 15 de julho de 2017

Paulo Freire, educador, pedagogo e filósofo brasileiro.
Um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, influenciador o movimento chamado pedagogia crítica.













Gilberto Freyre, polímata brasileiro
Um dos mais importantes sociólogos do século XX. 




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Made in Brazil 

Crianças de rua
Velhos desamparados
Mulheres nuas
Jovens prostitutas
Adultos desempregados...

Trabalho infantil
Trabalho escravo
Povo servil
Povo analfabeto
Povo alienado...

Impunidade
Corrupção
Fome
Enfermidade
Morte...

Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que Falo...

domingo, 2 de julho de 2017


Homenagem pela passagem de Vera Lúcia Freitas
Nossa companheira, guerreira e amiga...

Vera, Presente!


Nossa hora

(João Crispim Victorio)

De repente
A morte chega
Vem como um raio
Um relâmpago ou um trovão...

Retira o sopro dado
Leva a alma embora
Deixa o corpo oco
Solto em qualquer chão...

De repente
A morte chega
Não importa se cedo ou tarde
Nós que ficamos a lamentamos...

Choramos
Sem entender bem
Mas no nosso inconsciente
Aguardamos essa hora, também...



Rio de Janeiro, 02 de julho de 2017.

terça-feira, 20 de junho de 2017

 
 Nanã Buruquê 
 
 

Nanã, divindade que tem sua origem simultânea à criação do mundo. Orixá que sintetiza morte, fecundidade e riqueza.

Nanã, significa “mãe”, a divindade suprema. É a mais antiga das divindades das águas. No candomblé é respeitada como mãe por todos os outros orixás.

Uma das características dos filhos de Nanã é a calma. São pessoas extremamente lentas no cumprimento das suas tarefas. São pessoas que agem com benevolência, dignidade e gentileza.

As pessoas de Nanã são teimosas, guardam rancor e demoram para tomar uma decisão. Porém agem com segurança, suas reações equilibradas as mantêm no caminho da sabedoria e da justiça.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Pai Nosso
(João Crispim Victorio)

Por meio dos Evangelhos,
um narrado por Mateus,
outro por Lucas,
Jesus nos ensina a falar com o Pai.
Nenhuma fórmula mágica,
mas um bonito exemplo.

O que Ele nos orienta
simplesmente não repetir suas palavras,
pois são apenas orientadoras.
Podemos nós, dessa forma,
criar nossa própria oração
e orar com palavras livres,
vindas do coração...

Até porque, segundo Jesus,
Deus sabe das nossas intenções,
mesmo antes de se proferir uma só palavra.
Não pense, então, que deve falar muito
ou gritar feito louco,
para ser ouvido...

Ao contrário,
quando orar, esteja sozinho.
Recolha-se a um ambiente discreto,
tome cuidado para não fazer alarde.
Em segredo o Pai vê tudo, de certo!
Por isso, o recompensará publicamente.
Assim sendo, comece...

Pai!
Que estais sempre junto a nós,
santo é o Seu nome,
venha a nós o Seu ideal de liberdade,
seja feita a Sua justiça na igualdade,
assim na Terra como em todo Universo.

O pão, nosso alimento diário,
daí-nos hoje, somente o necessário.
Perdoa as nossas dívidas,
assim como nós devemos perdoar aos nossos devedores,
não nos deixeis cair no comodismo, na solidão
e no diacho do consumismo.
Livrai-nos do egoísmo que só traz divisão.

Amém!

                                                              Rio de Janeiro, 15 de junho de 2017.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Pequeno jardim
(João Crispim Victorio) 

Temos um pequeno jardim
Pouco a pouco fomos desenvolvendo
Onde antes só havia pedras
Agora germinam sementes... 

Hibiscos vermelhos e amarelos
Abrigam ninhos de passarinhos
Icsórias resistentes e coloridas
Escondem formigas e grilos... 

Nosso pequeno jardim
Ocupa um canto da rua
Nas noites, quem imaginaria
Dalí podemos contemplar a lua... 

Construímos nosso jardim
Onde tudo era cimento
Pequeno se comparado ao Universo
Porém, grande de paz e sentimentos... 

 

Rio de Janeiro, 12 de junho de 2017
Urca 

Entre as montanhas
O mar se apresenta
Imenso e belo!  

Sobre suas águas serenas
Pequenos barcos navegam livres
Movimentos sincronizados
Sobre as ondas do mar... 

O sol no horizonte se esconde
Recolhe o brilho do dia
À tarde preguiçosa chega de mansinho
Igual ao vôo das gaivotas
Acabam de pousar...  

Suave brisa marinha...  

Lenta e um pouco tímida
Surge a eterna companheira
Noites de boemia! 

Lua de raios prateados
Num céu se compondo de estrelas
Abre vários caminhos
Sobre as águas do mar... 

Amantes se aconchegam
Vidas divididas
Amores escondidos
Paixões perdidas
Gente com medo de amar...  

Quanta saudade
Da sua voz
Do seu cheiro  

Estou só...
 

Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que Falo...
Um país que não tem dignidade não sente indignação


por Aldo Fornazierihttp://adrank.com.br/www/delivery/lg.php?bannerid=1230&campaignid=716&zoneid=128&loc=1&referer=http%3A%2F%2Fjornalggn.com.br%2Fnoticia%2Fum-pais-que-nao-tem-dignidade-nao-sente-indignacao-por-aldo-fornazieri&cb=df06ab7d84

O presidente da República foi flagrado cometendo uma série de crimes e as provas foram transmitidas para todo o país. Com exceção de um protesto aqui, outro ali, a vida seguiu em sua trágica normalidade. Em muitos outros países o presidente teria que renunciar imediatamente e, quiçá, estaria preso. Se resistisse, os palácios estariam cercados por milhares de pessoas e milhões se colocariam nas ruas até a saída de tal criminoso, pois as instituições políticas são sagradas, por expressarem a dignidade e a moralidade nacional.

Aqui não. No Brasil tudo é possível. Grupos criminosos podem usar das instituições do poder ao seu bel prazer. Afinal de contas, no Brasil nunca tivemos república. Até mesmo a oposição, que ontem foi apeada do governo, dá de ombros e muitos chegam a suspeitar que a denúncia contra Temer é um golpe dentro do golpe. Que existem vários interesses em jogo na denúncia, qualquer pessoa razoavelmente informada sabe. Mas daí adotar posturas passivas em face da existência de uma quadrilha no comando do país significa pouco se importar com os destinos do Brasil e de seu povo, priorizando mais o cálculo político de partidos e grupos particulares.

O Brasil tem uma unidade política e territorial, mas não tem alma, não tem caráter, não tem dignidade e não tem um povo. Somos uma soma de partes desconexas. A unidade política e territorial foi alcançada às custas da violência dos poderosos, dos colonizadores, dos bandeirantes, dos escravocratas do Império, dos coronéis da Primeira República, dos industriais que amalgamaram as paredes de suas empresas com o suor e o sangue dos trabalhadores, com a miséria e a degradação servil dos lavradores pobres.

Índios foram massacrados; escravos foram mortos e açoitados; a dissidência foi dizimada; as lutas sociais foram tratadas com baionetas, cassetetes e balas. A nossa alma, a alma brasileira, foi ganhando duas texturas: submissão e indiferença. Não temos valores, não temos vínculos societários, não temos costumes que amalgamam o nosso caráter e somos o povo, dentre todas as Américas, que tem o menor índice de confiabilidade interpessoal, como mostram várias pesquisas.

Na trágica normalidade da nossa história não nos revoltamos contra o nosso dominador colonial. Ele nos concedeu a Independência como obra de sua graça. Não fizemos uma guerra civil contra os escravocratas e não fizemos uma revolução republicana. A dor e os cadáveres foram se amontoando ao longo dos tempos e o verde de nossas florestas foi se tingindo com sangue dos mais fracos, dos deserdados. Hoje mesmo, não nos indignamos com as 60 mil mortes violentas anuais ou com as 50 mil vítimas fatais no trânsito e os mais de 200 mil feridos graves. Não nos importamos com as mortes dos jovens pobres e negros das periferias e com a assustadora violência contra as mulheres. Tudo é normal, tragicamente normal.

Quando nós, os debaixo, chegamos ao poder, sentamos à mesa dos nossos inimigos, brindamos, comemoramos e libamos com eles e, no nosso deslumbramento, acreditamos que estamos definitivamente aceitos na Casa Grande dos palácios. Só nos damos conta do nosso vergonhoso engano no dia em que os nossos inimigos nos apunhalam pelas constas e nos jogam dos palácios.

Nunca fomos uma democracia racial e, no fundo, nunca fomos democracia nenhuma, pois sempre nos faltou o critério irredutível da igualdade e da sociedade justa para que pudéssemos ostentar o título de democracia. Nos contentamos com os surtos de crescimento econômico e com as migalhas das parcas reduções das desigualdades e estufamos o peito para dizer que alcançamos a redenção ou que estamos no caminho dela. No governo, entregamos bilhões de reais aos campeões nacionais sem perceber que são velhacos, que embolsam o dinheiro e que são os primeiros a dar as costas ao Brasil e ao seu povo.

No Brasil, a mobilidade social é exígua, as estratificações sociais são abissais e não somos capazes de transformar essas diferenças em lutas radicais, em insurreições, em revoltas. Preferimos sentar à mesa dos nossos inimigos e negociar com eles, de forma subalterna. Aceitamos os pactos dos privilégios dos de cima e, em nome da tese imoral de que os fins justificam os meios, nos corrompemos como todos e aceitamos o assalto sistemático do capital aos recursos públicos, aos orçamentos, aos fundos públicos, aos recursos subsidiados e, ainda, aliviamos os ricos e penalizamos os pobres em termos tributários.

Quando percebemos os nossos enganos, nos indignamos mais com palavras jogadas ao vento do que com atitudes e lutas. Boa parte das nossas lutas não passam de piqueniques cívicos nas avenidas das grandes cidades. E, em nome de tudo isto, das auto-justificativas para os nossos enganos, sentimos um alívio na consciência, rejeitamos os sentimentos de culpa, mas não somos capazes de perceber que não temos alma, não temos caráter, não temos moral e não temos coragem.

Da mesma forma que aceitamos as chacinas, os massacres nos presídios, a violência policial nos morros e nas favelas, aceitamos passivamente a destruição da educação, da saúde, da ciência e da pesquisa. Aceitamos que o povo seja uma massa ignara e sem cultura, sem civilidade e sem civilização. Continuamos sendo um povo abastardado, somos filhos de negras e índias engravidadas pela violência dos invasores, das elites, do capital, das classes políticas que fracassaram em conduzir este país a um patamar de dignidade para seu povo.

Aceitamos a destruição das nossas florestas e da nossa biodiversidade, o envenenamento das nossas águas e das nossas terras porque temos a mesma alma dominada pela cobiça de nos sentirmos bem quando estamos sentados à mesa dos senhores e porque queremos alcançar o fruto sem plantar a árvore. Se algum lampejo de consciência, de alma ou de caráter nacional existe, isto é coisa restrita à vida intelectual, não do povo. O povo não tem nenhuma referência significativa em nossa história, em algum herói brasileiro, em algum pai-fundador, em alguma proclamação de independência ou república, em algum texto constitucional em algum líder exemplar.

Somos governados pela submissão e pela indiferença. Não somos capazes de olhar à nossa volta e de perceber as nossas tragédias. Nos condoemos com as tragédias do além-mar, mas não com as nossas. Não temos a dignidade dos sentimentos humanos da solidariedade, da piedade, da compaixão. Não somos capazes de nos indignar e não seremos capazes de gerar revoltas, insurreições, mesmo que pacíficas. Mesmo que pacíficas, mas com força suficiente para mudar os rumos do nosso país. Se não nos indignarmos e não gerarmos atitudes fortes, não teremos uma comunidade de destino, não teremos uma alma com um povo, não geraremos um futuro digno e a história nos verá como gerações de incapazes, de indiferentes e de pessoas que não se preocuparam em imprimir um conteúdo significativo na sua passagem pela vida na Terra.
 

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política