quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Reforma Agrária: solução para o desenvolvimento justo do Brasil.

João Crispim Victorio[i]


Ao traçarmos a linha da história vamos perceber que as questões relacionadas a terra tem sido motivos de guerras, de discórdias e de poder social e econômico de um grupo sobre outro. A concentração de terras nas mãos de alguns poucos sempre foi um dos maiores problemas para a humanidade, principalmente por não se fazer justiça social no campo. Dessa forma, podemos definir reforma agrária como sendo a reorganização justa da terra. Nesse sentido, para que de fato ela ocorra é necessário regulamentá-la por meio de medidas jurídico-econômicas e democráticas, visando desconcentrar a propriedade das terras cultiváveis a fim de torná-las produtivas nas mãos dos que realmente querem e precisam trabalhar a terra. Essa justa divisão de terras deve ter como objetivo final o aumento da produção agrícola, a ampliação do mercado interno e, consequentemente, a melhoria do nível de vida das populações no campo e da cidade. Se não for assim estaremos longe da implementação de uma política social capaz de acabar com o desemprego a fome e a miséria no Brasil.
Para falar de reforma agrária vamos partir de uma análise histórica da humanidade. Veremos ser a mesma marcada por muitas lutas, conquistas e, também, resistências em relação as perdas e os ganhos de terras. A dinâmica do movimento pela conquista da terra foi de poucas vitórias e muitas derrotas para o lado mais fraco da sociedade, os oprimidos. Mas com certeza foram e são movimentos violentos e sangrentos desde a Antiguidade. Pois, os gregos e os romanos[1], atores principais na visão ocidental da história, viviam em desarmonia. Na Grécia, Platão defendia a propriedade coletiva da terra, enquanto Aristóteles, seu principal discípulo, recomendava a propriedade privada. Em Roma, Caio Graco promulgou a lei agrária ordenando a redistribuição de terras provocando as mais violentas reações que o levaram a morte.
A estrutura agrária comum em toda a Europa na Antiguidade e Idade Média, gerava muitos problemas sociais como resultado das relações do trabalho no campo. Esses problemas culminaram na Revolução Francesa[2], no final do século XVIII, abolindo a servidão rural e lançando luz sobre outras nações. Porém, a Revolução não conseguiu eliminar os problemas fundiários na França. Essa, não era uma tarefa fácil.
A história nos mostra que desde os primórdios fazer reforma agrária em qualquer lugar do mundo nunca foi coisa simples, não basta querer distribuir as terras aos que não tem terra. A propriedade privada sempre foi garantia de poder econômico e político e, por isso, dividi-la de forma justa tira de alguns poucos esse poder e dá a muitos o espírito de uma autêntica revolução social. Esses alguns poucos que detinham o poder eram chamados de senhores feudais. O sistema feudal[3] na Europa começa a ter seu fim nos primeiros séculos da Baixa Idade Média, período marcado por uma nova forma de organização social decorrente do surgimento do capitalismo comercial[4]. Nesse período, os senhores feudais começaram a arrendar suas terras e a mão de obra passa ser remunerada com um salário.
Aos poucos, toda essa organização social estruturada com base nos senhores feudais vai mudando, dando início a um novo período histórico, a Modernidade. Esse novo período tem suas bases na Revolução Científica[5] e no Movimento Iluminista[6]. Ou seja, com uma nova forma de pensar o mundo e com as máquinas, logo as fábricas foram se consolidando e, consequentemente, chegamos a Revolução Industrial Inglesa[7]. Tem início uma nova forma de organização social, agora subordinada as fábricas, nesse novo cenário surge os novos personagens, o patrão, dono do capital e o operário, quem vende sua força de trabalho.
Com a expansão industrial, o sistema capitalista passa ser imperativo e ao mesmo tempo complexo, já que em curto espaço de tempo vai gerar a divisão do trabalho nas cidades e aumentar o fluxo da massa de operários dentro das cidades e dos campos para as cidades gerando o êxodo rural, pois, os camponeses iludidos viram nas fábricas a “oportunidade” de enriquecimento. Na verdade, foram tempos difíceis já que trabalhavam homens, mulheres e crianças, por mais de dez horas diárias. Acredito que só não foi pior porque a necessidade fez com que surgisse, já nessa época, as organizações operárias como forma de diminuir o processo opressor contra os operários. Essas organizações operárias nascidas na Europa, que hoje chamamos de sindicato, assim como as fábricas, se espalham por todo o mundo.
Durante o século XIX, apesar da resistência campesina, a Europa e grande parte do mundo, tem na tradição romana de valorizar a propriedade privada, inspiração para suas leis que favorece a concentração da propriedade nas mãos de um número reduzido de indivíduos exploradores dos camponeses sem terra e sem opções de outro tipo de trabalho. Essa situação só vai se modificar a partir do século XX, com a pressão das massas camponesas estimuladas pela Revolução Soviética[8]. Nesse sentido, os movimentos pela reforma agrária por todo o mundo, guardadas as características e objetivos de cada país, tem como princípio básico as medidas de supressão imediata ou progressiva da propriedade privada da terra. Isso, independentemente de serem reformas implantadas em países capitalistas ou socialistas.
Infelizmente esse movimento pela reforma agrária no século XX não atingiu ao Brasil de forma a causar mudanças significativas no campo. No nosso país o latifúndio, não por acaso, sempre foi identificado com o setor conservador da política brasileira. Setor esse que exerceu e ainda exerce muita influência sobre as decisões oficiais, por meio de seus representantes nos governos municipal, estadual e federal. Por isso, o regime de propriedade e os privilégios são mantidos e resistem às mudanças propostas por organizações sociais e políticas. Esses setores conservadores no Brasil só vão se sentir incomodados com o advento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, com a Pastoral da Terra, com a Teologia da Libertação e os partidos políticos de esquerda, entre esses o Partido dos Trabalhadores.
Por outro lado, os setores conservadores também se organizaram e criaram seus grupos de defesa como União Democrática Ruralista e seus partidos de direita. Esses setores são os responsáveis, por exemplo, do ocorrido em 1963, quando João Goulart[9], defendeu que a terra não poderia ser mantida improdutiva por força do direito de propriedade. Com isso, pretendia distribuir lotes as famílias brasileiras. A resposta foi rápida. O governo foi destituído por meio de um golpe militar, interrompendo a mobilização nacional em favor da reforma agrária. São também responsáveis por muitas mortes no campo e por massacres como o que ocorreu recentemente no dia 17 de abril de 1996, resultando na morte de dezenove sem-terra em Eldorado do Carajás, no sul do Pará.
É sabido por quase todos que o Brasil apresenta uma estrutura agrária em que convivem extensos latifúndios improdutivos, grandes monoculturas de exportação e milhões de trabalhadores rurais sem terra. E tudo isso tem início no período da colonização quando Portugal implantou engenhos e concedeu vastas sesmarias para quem estivesse em condições de investir na lavoura canavieira. Contrapartida uma numerosa população rural vivia em péssimas condições de higiene e alimentação, resultando em elevado índice de mortalidade. Em algumas regiões do país o analfabetismo é alarmante e inexistem, até hoje, escolas estruturadas de nível fundamental, médio e técnico-agrícolas.
No Brasil, apesar de existirem leis especificas[10] para fins de reforma agrária, atualmente, a mesma vem acontecendo em passos lentos com a compra e a desapropriação de latifúndios particulares, considerados improdutivos pela União. As terras são repassadas ao Incra[11] que as distribui às famílias e presta assistência financeira, consultoria e de insumos para que possam produzir. Mas o principal instrumento da reforma agrária que é a desapropriação vem sofrendo forte resistência, intensificando os conflitos no campo. O resultado desses conflitos é o legítimo aparecimento de grupos e organizações de luta pela terra que tem suas ações com base na ocupação de terras para pressionar o governo a fazer a reforma agrária.
A história está aí para nos mostrar que os países que, de certa forma, realizaram a reforma agrária, independente se capitalista ou comunista (socialista), conseguiram se desenvolver economicamente ao ponto de diminuir o fosso da desigualdade social entre os seus. Mas no Brasil, onde ainda impera, por um lado a ignorância e por outro a ganância não sabemos precisar sobre o acontecimento libertador da reforma agrária. Enquanto isso, vamos vivendo e vendo surgir novas lideranças políticas, novos grupos de libertação. Assim, quiçá um dia a reforma agrária aconteça e, consequentemente, passaremos a ser um povo desenvolvido e feliz.



Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2017.







[1] Marisa Schmitt Siqueira Mendes e Heloise Siqueira Garcia. Construção Histórica do Direito de Propriedade em Grécia e Roma. Revista eletrônica da UNIFEBE. Disponível em < http://periodicos.unifebe.edu.br/index.php/revistaeletronicadaunifebe/article/view/33.> Acessado em 04 de dezembro de 2017.

[3] Feudalismo na Idade Média. Disponível em < https://www.suapesquisa.com/feudalismo/ > Acesso em 04 de dezembro de 2017.

[4] O capitalismo comercial, chamado Mercantilismo, se deu entre as grandes potências da época que para expandir seus comércios passaram a explorar novas terras, a comercializar escravos e metais preciosos.

[5] A Revolução Científica tem início a partir do século XVII. A divulgação de descobertas cientificas colocou em questão algumas teorias dadas como certas. Isso causou ruptura entre ciência e filosofia e deu à ciência um tratamento empírico. 

[6] Iluminismo foi um movimento intelectual nascido na Europa no século XVIII. Esse movimento teve sua origem na França e seus principais promotores se encontravam na classe média. Defendiam o uso da razão e questionavam o poder absoluto da Monarquia. O movimento iluminista e a sua forma de pensar chegou nos círculos de poder provocando grandes mudanças nas esferas políticas e sociais.

[7] Revolução Industrial. Disponível em < https://www.suapesquisa.com/industrial/ > Acesso em 04 de dezembro de 2017.

[8] Revolução Russa. Disponível em <  https://www.suapesquisa.com/russa/ > Acesso em 04 de dezembro de 2017.

[9] João Goulart foi o último presidente do Brasil antes do Regime Militar (1964-1985). Jango, como era conhecido, foi candidato a vice de Jânio Quadros à presidência, em 1961. Com a renúncia de Jânio, Jango assume a presidência ovacionado por seus eleitores. Ele tinha aproximação com os trabalhadores e sindicatos e a promessa de garantir uma vida melhor aos mais pobres.

No dia 13 de março de 1964, Jango realiza um comício na estação Central do Brasil, Rio de Janeiro, prometendo a reforma agrária através da redistribuição de terras e uma política mais favorável aos pobres e trabalhadores. A oposição não demorou a se manifestar organizando a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Marcha contra a reforma agrária e a ameaça do comunismo.

[10] Lei de desapropriação, garantida pela Constituição de 1988, instituída pelo Plano Nacional de Reforma Agrária, sob o decreto de lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941, reformulado pela Constituição, o qual assegura o direito da União à desapropriação de terras ditas particulares, consideradas improdutivas.

[11] Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) é uma autarquia do Governo Federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), criada a partir do decreto nº 1,110, de 09 de julho de 1970. Sua estrutura regimentar foi criada a partir do decreto nº 5.735, de 27 de março de 2006, com a redação alterada e atualizada pelo decreto nº 6.812, de 03 de abril de 2009.






[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Canto de paz

Um canto de paz
Que conquiste o mundo
Que revolucione o homem
Que justifique o sonho
Que ultrapasse as fronteiras
Que motive o amor
Que derrube as cercas...

Um canto de paz
Que propague a justiça
Que dignifique a vida
Que divulgue a beleza
Que ignore o preconceito
Que promova a natureza...

Um canto de paz
Que repudie a violência
Que aniquile o medo
Que incentive a benevolência
Que despreze a mentira
Que eleve a verdade...

Um canto de paz
Que anuncie a solidariedade
Que vença o mal
Que extravase a esperança
Que lembre o Natal...

Um canto de paz
Que transmita luz
Que transforme as nações
Que revele Jesus...



Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre Nós que falo...

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Corpo

Corpo ferido na carne
Manchado das angústias da rua
Marcado por cicatrizes profundas
Corpo sem alma, sem sol e sem lua...

Imóvel no banco do trem
Um corpo embriagado de morte
Humilhado por outros corpos
Também desprovidos da sorte
Que muitos poucos têm...

Corpo de carne e osso
Igual a dos seus semelhantes
Maltratado pela falta de oportunidade
Nem todos têm a grande chance...

Pobre corpo humano
Mutilado pelo abandono
Vítima do lucro do capital
Provavelmente sem nome
Apenas mais um marginal...




Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Trabalho que falo...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Harmonia

Sol e chuva
Juntos, possível arco-íris
Cores em harmonia
Mas há aquele que não vê...

Estrelas e lua
Juntas, noite dos amantes
Vidas em harmonia
Mas há aquele que não vê...

Flores e borboletas
Juntas, preservação do jardim
Natureza em harmonia
Mas há aquele que não vê...

O que seria da humanidade
Não fossem as cores?

Das cores não fosse a visão?

O que seria das borboletas
Não fossem as flores?

Das flores não fosse a emoção?

O que seria da vida
Se todos pensassem só em dinheiro?


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que falo...

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Os excluídos e as leis brasileiras.
João Crispim Victorio[i]

Está tramitando no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 3.547/2015, que Altera o Art. 26-A da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, incluindo a História e a Cultura Cigana no currículo oficial da rede de ensino.  O PL em questão vem substituir a Lei 11.645/2008, que alterou o mesmo artigo da Lei nº 9.394, incluindo a História e a Cultura Indígena no currículo oficial da rede de ensino. Já a Lei 11.645/2008, havia substituído, anteriormente, a Lei 10.639/2003, que nasceu no intuito de incluir no currículo oficial, somente, a obrigatoriedade da História e da Cultura Afro-Brasileira.
A alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB/96, proposta por meio do PL nº 3.547/2015, ocorre no Artigo 26-A, especificamente nos parágrafos primeiro e segundo que passará vigorar com a seguinte redação:


“Art. 26–A Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna–se obrigatório o estudo da história e cultura afro–brasileira, indígena e cigana.

§ 1º O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses três grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a história cigana, a luta dos negros, dos ciganos e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra, cigana e indígena brasileira e o negro, o cigano e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

§ 2º Os conteúdos referentes à história e cultura afro–brasileira, dos povos ciganos e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras”.

É preciso dizer, aqui, que não temos nada contra a inclusão da História e da Cultura dos povos ciganos no texto atual da LDB/96. Pelo contrário, estamos de acordo com o deputado[1], autor do referido Projeto de Lei, que justifica sua ação com o seguinte argumento histórico:

“Os povos ciganos sempre vivenciaram situação de extremo preconceito e exclusão social, onde quer que estejam. A cultura cigana sempre foi desconsiderada e desrespeitada, a imagem construída socialmente sobre o povo cigano é de total descompasso com a realidade, eivada na discriminação que os acompanham por séculos. Desde a escravização por 5 séculos na região da atual Romênia aos horrores impostos nos campos de concentrações nazistas de Adolf Hitler”.

A história mostra a necessidade de se fazer o devido reconhecimento ao povo cigano, mas a questão é que no Brasil, historicamente, temos muitas leis que não são colocadas em práticas. Pior, as nossas leis, em sua maioria, giram em torno dos interesses individuais dos que detêm o poder do capital, o poder político e o poder da informação, sejamos justos, esse não parece ser o caso do autor da PL nº 3.547/2015.
 Nossa história mostra que as nossas leis sempre foram e, ainda as são elaboradas por parlamentares, em sua maioria, representantes das elites financeira e intelectual. Neste sentido, estamos carecendo de gente no parlamento brasileiro que pense, defenda e pratique o bem coletivo. Gente que venha somar em defesa das causas dos mais pobres e oprimidos, que ajude mobilizar a população para fazer valer as leis que, pelo menos, minimize o fosso da desigualdade social[2].
O projeto de Lei nº 3.547/2015, modifica a Lei nº 11.645/2008, que modificou Lei no 10.639/2003, que alterou o Artigo 26-A da Lei nº 9.394/1996. Estamos caminhando para 15 anos da Lei nº 10.639/2003 e 22 anos da entrada em vigor da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e não conseguimos atingir o nosso primeiro objetivo que é o de formar professores capazes de aprofundar as temáticas afro-brasileira e indígenas, quiçá, agora, a cigana. Então, será que acrescentando mais um grupo de excluídos a lei vai ser colocada em prática? Ou todos os grupos étnicos aqui citados vão continuar sendo apenas figuras estampadas nos livros didáticos como se não existissem de verdade? Será que devemos continuar negando a importante contribuição dessas culturas em nossa sociedade? Bom, as leis são importantes, mas o mais importante mesmo é colocá-las em prática.
Os indígenas e os negros, têm no calendário brasileiro datas distintas de homenagens. Façamos, então, dessas datas, não só comemorações, mas, também, reflexões sobre os problemas vividos no cotidiano e luta pela vida. Para tanto, não basta colocar penas na cabeça ou fazer pintura no rosto e no corpo, é preciso muito mais. É preciso recuperar a verdadeira história desses povos e denunciar o descaso que sofrem do poder público, o preconceito e discriminação suscitada por uma minoria da população que age, segundo seus interesses próprios, como por exemplo, a ganância de se apropriarem das terras indígenas.
Afinal, temos muito a aprender, a compartilhar e vivenciar com todos esses povos. Pois, o futuro de um povo depende da própria história que constrói.




Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2017.






[1] Helder Ignácio Salomão é deputado federal pelo PT do Espírito Santo.

[2] Neste contexto, desigualdade social é o desequilíbrio econômico causado pela distribuição desigual da renda na sociedade e a falta de investimentos em políticas sociais, ou seja, poucos ficam com muito e muitos ficam com pouco. Isso, afeta diretamente as pessoas causando diferentes padrões de vida em um mesmo país. Os problemas da desigualdade social se configuram, principalmente na falta de educação básica e superior de qualidade, no desemprego, na falta de saneamento básico, de saúde e na ausência de projetos culturais nas periferias das cidades.
No Brasil, a desigualdade social é gritante e afeta a maioria do povo brasileiro. Vivemos uma contradição absurda, pois, estamos entre os dez países com o Produto Interno Bruto-PIB mais alto do mundo e somos o oitavo país com maior índice de desigualdade social e econômica do planeta. Apesar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-2011) apresentar resultados que mostram uma diminuição da pobreza no país. 





[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

25 de outubro:

Celebração cristã dos irmãos gêmeos Crispim e Crispiniano
padroeiros dos sapateiros.

Peço Licença aos Irmãos Crispim e Crispiniano e a Todos os Filhos de Fé!!! 

Gloria seja sempre dada aos grandes mártires da fé, que através dos séculos nos deram sempre exemplo de santidade e espiritualidade. Concedei-nos, Deus onipotente, sermos também nós agraciados com o dom da visão sobrenatural de Deus.

São Crispim e São Cipriano, rogai por nós.






Histórico de São Crispim e Crispiniano 

Crispim e Crispiniano eram irmãos de origem romana. Cresceram juntos e converteram-se ao cristianismo na adolescência. Eram muito populares, caridosos, e pregavam com ardor a fé que abraçaram.
Os irmãos eram sapateiros e acompanhavam São Quintino em sua viagem a França, tirando o seu sustento fazendo sapatos. A tradição diz que eles eram estudiosos da doutrina cristã e eram muito bons pregadores.
Quando alcançaram o território francês, os dois irmãos estabeleceram-se na cidade de Soissons. Lá, seguiram uma rotina de dupla jornada, isto é, de dia eram missionários e à noite, em vez de dormir, trabalhavam numa oficina de calçados para sustentar-se e continuar fazendo caridade aos pobres.
Quando a cruel perseguição imposta por Roma chegou a Soissons, era época do imperador Diocleciano e a Gália estava sob o governo de Rictiovarus. Quando foram presos e levados presença de Rictiovarus, que detestava os cristãos; Crispim e Crispiniano deixaram Rictiovarus tão nervoso com sua argumentação sólida e perfeita sobre Jesus, que Rictiovarus cometeu suicídio.
Os dois irmãos foram acusados e presos. Seus carrascos os torturaram até o limite, exigindo que abandonassem publicamente a fé cristã. Como não o fizeram, foram friamente degolados, ganhando a coroa do martírio.
O co-imperador Maximiano (286-305) furioso ordenou a sua morte imediata por decapitação em 286 DC.
As tradições seculares contam que, durante a fuga, na noite de Natal, os irmãos Crispim e Crispiniano batiam nas portas buscando refúgio, mas ninguém os atendia. Finalmente, foram abrigados por uma pobre viúva que vivia com um filho. Agradecidos a Deus, quiseram recompensá-la fazendo um novo par de sapatos para o rapazinho.
Trabalharam rápido e deixaram o presente perto da lareira. Mas antes de partir, enquanto todos ainda dormiam, Crispim e Crispiniano rezaram pedindo amparo da Providência Divina para aquela viúva e o filho. Ao amanhecer, viram que os dois tinham desaparecido e encontraram o par de sapatos cheio de moedas.
Eles são os padroeiros dos fabricantes de sapatos e dos sapateiros e foram muito populares na Idade Média. Na tradição da Igreja inglesa é dito que eles viveram por algum tempo em Faversham, Kent, Inglaterra.
As relíquias dos corpos desses dois nobres romanos mártires estavam sepultadas na belíssima igreja de Soissons, construída no século VI. Depois, parte delas foi transportada para Roma, onde foram guardadas na igreja de São Lourenço da via Panisperna.
Celebram-se os santos Crispim e Crispiniano como padroeiros dos sapateiros no dia 25 de outubro. Essa profissão, uma das mais antigas da humanidade, era muito discriminada, por estar sempre associada ao trabalho dos curtidores e carniceiros. Mas o cristianismo mudou a visão e ela foi resgatada graças ao surgimento dos dois santos sapateiros, chamados de mártires franceses.
Na arte litúrgica, eles são mostrados segurando sapatos ou ferramentas de sapateiro.
Nas festas de São Cosme, Damião e Doum, a duração costuma ser durante todo um mês, iniciando a 27 de setembro (Cosme e Damião) e terminando a 25 de outubro (Crispim e Crispiniano), devido a ligação espiritual que há entre Crispim e Crispiniano com os Santos gêmeos, pela sincretização que houve destes santos católicos com as crianças na umbanda, e com os ibejis, ou erês (nome dado pelos nagôs aos santos-meninos que têm as mesmas missões).

Hino a São Crispim e São Crispiniano

Dois exemplos da Santa Humildade,
Que renega o fastígio do mundo,
Trocam fausto, riquezas, vaidade
Pelo amor do trabalho fecundo.

São Crispim, nosso provido guia!
Crispiniano, da cruz mártir santo!
Consegui que possamos, um dia,
Repetir lá no Céu este canto!
A oficina dos santos obreiros
É, então, um sacrário de luz,
Onde todos acorrem ligeiros
Ao chamado da voz de Jesus.

Mas dos ímpios o féro delírio,
Aos clarões da verdade singela,
Os dois santos conduz ao martirio,
Que milagres de Fé mais revela.
Coroados, por fim, com as palmas,
Que aos justos reserva o altar,
Jubilosas estão nossas almas
Seus louvores e glória a cantar.


Oração a São Crispim e Crispiniano

Oh! Deus, que com tão inefável bondade inspirastes a vossos fiéis servos Crispim e Crispiniano a renúncia dos bens terrenos e o amor das espirituais delícias, o horror das mundanas vaidades e os encantos da eterna bem-aventurança, o desprezo das galas transitórias e gosto dos trabalhos humildes, concedei-nos, pela intercessão destes ilustres Mártires a graça da verdadeira sabedoria, desprezando tudo o que é efêmero e caduco para amarmos somente o que é salutar e eterna. E vós inclitos Patronos, que tão heroicamente empenhastes a vossa vida para atear na terra o amor de Jesus, intercedei por nós, para que seguindo o vosso exemplo possamos honrar sempre o nome cristão.


Por Jesus Cristo Senhor Nosso. Assim seja.



http://www.genuinaumbanda.com.br





sexta-feira, 10 de novembro de 2017

           Moço

            I

Tenho mais idade do que devia
Claro, não sou nenhum menino!
Vivi tantas coisas intensas
Transitei por muitos lugares
Cidades com grandes ruas
Becos estreitos de favelas
Enquanto você ficava em casa
Jogando videogame ou assistindo tv...

Vendi picolé na estação de trem
Com os hippies aprendi artesanato
A me virar nas areias das belas praias
Rio de muita gente, das várias raças
Da zona sul à costa verde
Só conhece quem viaja...

Sempre dei um jeito de frequentar a sala de aula
Cresci de forma contrária à sua
Entre os ignorantes amontoados da periferia
Curtindo churrasquinho de rua
Sobrevivi sem perder a ternura
Subi ao céu e desci ao inferno
Como muita gente boa!
Só não fiz a opção certada – Acredito!
Por isso, estou vivo agora...

                  II

Tenho mais idade do que devia
No conceito dessa sociedade mesquinha
Completei meus estudos no horário noturno
Trabalhando e estudando fiz o tempo acontecer
Não desisti, apesar das dificuldades que sofri
Com tudo só defendi meu querer...

Conheci muitas mulheres
Algumas da minha vida fizeram parte
No caminho encontrei gente interessante
Poucas, hoje, chamo amigas!
Mas me decepcionei bastante...

Desde muito moço frequento a Lapa
Vi a malandragem na noite
O trabalhador sem gravata de dia
Sozinho lamentando a vida
Igual ao sujeito que vive na boemia...

Mesmo ficando longe de onde morava
Frequentei teatros e casas noturnas
Grandes praças com chafariz
Projetos culturais em locais públicos
Espetáculos que mereciam bis...

Passei a me interessar por Poesia
Política e Filosofia são minhas guias
Buscava assim amadurecer minha Ideologia
Viajei a outros Estados da federação
Atravessei o atlântico de avião
Cheguei ao velho mundo
Ao centro dos acontecimentos
O coração!

                 III

Tenho mais idade do que devia
É o que percebo quando penso seguir em frente
A Universidade também exclui por idade
As vagas, na verdade, já estão preenchidas
A vida acadêmica é cara para a maioria da gente
Um círculo vicioso que aos poucos chega ao final
Pobre burguês que quer tudo para si
Não entende da Terra o sinal...

Há vinte anos no mesmo emprego
Sou um profissional bem-sucedido
Porém, sem dinheiro!
Cumpro com meus deveres
Cobro com veemência meus direitos
Priorizo o trabalhador organizado
Sou presente no Sindicato
Aceito os novos desafios...

Tenho mais idade do que devia
É o que vejo no olhar de muita gente
Aquelas não assumidas!
Reparam as minhas roupas desbotadas
O meu tênis já descorado
As minhas sandálias já surradas
O contraste com meus cabelos grisalhos
Reparam o meu modo de ser
O meu jeito de falar
O contraste com meu rosto já cansado...

Imagino o que dizem
Esta gente fria, claro!
Ao me ver nas ruas de mãos dadas
Ao me ver no banco da praça
Beijar, apaixonado, minha namorada
Quanta hipocrisia!

Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Trabalho que Falo...

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Perspectivas

Sobre a cabeça nuvens cinzentas
Fim de mais um dia
Corpo prostrado
Cansado do trabalho
Imobilidade total...

Urubus voam ao redor
Fúnebre ritual...

O tímido sol recolhe-se de vez
Facilita a chuva
O corpo ainda quente
Sente o frio vento
Perene invadindo a alma...

Quadro sombrio
Pensamentos desarticulados...

Sem encontrar respostas
Fogem todas as perspectivas
Uma vida sem objetivos
É um rio que não chega ao mar
Perde todo o sentido...

Aos poucos morre
Deixando um vazio...


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Trabalho que Falo...

domingo, 22 de outubro de 2017

Reflexões...

Um indivíduo
Usa um outro indivíduo
Que se deixa usar
Porque usa o outro também...

Neste jogo de cinismo
Mau-caratismo e hipocrisia
Tais indivíduos egoístas
Tornam-se escravos da vaidade...

Alucinados por vis metais
Substituem valores fundamentais
Falo de moral e de ética
Tão necessários à pessoa...

Uma pessoa
Precisa da verdade
A mentira é coisa do diabo
Divisões já temos demais...

Caso esqueçamos da partilha
A vida fica sem sentido
Quem perde com tudo isso?
O coletivo...

Rio de Janeiro, 22 de outubro de 2017



João Crispim Victorio é professor e poeta.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Lixão

Lixo da cidade
Depósito de sobrevivência dos miseráveis
Fruto podre da desigualdade...

Lixo e mais lixo
Lucro de poucos abastados
Supérfluo de muitas vaidades...

Lixo orgânico
Lixo inorgânico
Lixo social
Lixo paradoxal
Lixo humano

São homens, mulheres e crianças
Urubus, ratos e doenças
Entre o lixo de nossa cumplicidade...


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que Falo...

T odo 19 de abril, comemoramos no Brasil o Dia do Índio – mas este povo merece ser exaltado todos os dias do ano, e, acima de tudo, resp...