domingo, 30 de abril de 2017


Homenagens a um dos melhores Compositor e Cantor Brasileiro
Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior


Mas trago de cabeça
Uma canção do rádio
Em que um antigo
Compositor baiano
Me dizia
Tudo é divino
Tudo é maravilhoso
Mas trago de cabeça
Uma canção do rádio
Em que um antigo
Compositor baiano
Me dizia
Tudo é divino
Tudo é maravilhoso
Tenho ouvido muitos discos
Conversado com pessoas
Caminhado meu caminho
Papo, som, dentro da noite
E não tenho um amigo sequer
Que ainda acredite nisso não
Tudo muda!
E com toda razão
Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior
Mas sei
Que tudo é proibido
Aliás, eu queria dizer
Que tudo é permitido
Até beijar você
No escuro do cinema
Quando ninguém nos vê
Não me peça que eu lhe faça
Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém
Mas não se preocupe meu amigo
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer
Ao vivo é muito pior
E eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Por favor
Não saque a arma no "saloon"
Eu sou apenas o cantor
Mas se depois de cantar
Você ainda quiser me atirar
Mate-me logo!
À tarde, às três
Que à noite
Tenho um compromisso
E não posso faltar
Por causa de vocês
Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior
Mas sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso, não
Na na na na na na na na
Há tempo, muito tempo
Que eu estou
Longe de casa
E nessas ilhas
Cheias de distância
O meu blusão de couro
Se estragou
Oh! Oh! Oh!...


Ouvi dizer num papo
Da rapaziada
Que aquele amigo
Que embarcou comigo
Cheio de esperança e fé
Já se mandou
Oh! Oh! Oh!...
Sentado à beira do caminho
Prá pedir carona
Tenho falado
À mulher companheira
Quem sabe lá no trópico
A vida esteja a mil...
E um cara
Que transava à noite
No "Danúbio azul"
Me disse que faz sol
Na América do Sul
E nossas irmãs nos esperam
No coração do Brasil...
Minha rede branca
Meu cachorro ligeiro
Sertão, olha o Concorde
Que vem vindo do estrangeiro
O fim do termo "saudade"
Como o charme brasileiro
De alguém sozinho a cismar...
Gente de minha rua
Como eu andei distante
Quando eu desapareci
Ela arranjou um amante
Minha normalista linda
Ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar...
Até parece que foi ontem
Minha mocidade
Com diploma de sofrer
De outra Universidade
Minha fala nordestina
Quero esquecer o francês...
E vou viver as coisas novas
Que também são boas
O amor, humor das praças
Cheias de pessoas
Agora eu quero tudo
Tudo outra vez...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Capitalismo

Onde chegou o homem
Na pobreza de espírito, na miséria da alma
Chora, chora por emprego, por comida
Por cachaça para esquecer as desgraças...

Quantas injustiças!
Desagregação humana...

Quem é seu próximo?
Somos todos individualistas, vivemos em competição
Os homens no poder, exploram a miséria alheia
Constroem obras faraônicas, nem sempre necessárias
No abandono morrem nossas crianças...

Vivemos numa democracia?
Temos liberdade de expressão?
Claro que não...

O salário dos trabalhadores
Está de acordo com a ganância do patrão
Estamos descaracterizados pelo consumo
Violência por todos os lados...

A que ponto chegamos
Sociedade de extrema desigualdade
Direitos básicos negados, respeito é coisa do passado
Poucos são os privilegiados
Muitos são os marginalizados...

Somos corruptos e corruptores
Vivemos alienados, acreditamos na individual felicidade
Desconhecemos nossa diversidade
Somos um barco à deriva, num mar de ilusões...

Num mundo real teremos chance?
Não, no perverso sistema do capital.

                                                                                           Poema de João Crispim Victorio.
                                                                                           Livro: Sobre o Trabalho que Falo...

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Frei Carlos Mesters:

Frade carmelita holandês, missionário no Brasil desde 1949. Sacerdote desde 1957, doutor em Teologia Bíblica. É um dos principais exegetas bíblicos do método histórico-crítico.
 
É um grande incentivador da leitura popular da Bíblia através dos Círculos Bíblicos e das Comunidades Eclesiais de Base.
 
É membro fundador do Centro de Estudos Bíblicos - CEBI, que tem como objetivo difundir a leitura da Bíblia nos meios populares através do método conhecido como triângulo hermenêutico, com três vértices em permanente interação: a realidade da pessoa, a realidade da comunidade e a realidade da sociedade.
 
É autor de quase cem livros sobre a Bíblia, próprios ou co-autoria.
 
 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Alucinação

Manhã
A mesma manhã
Outro caminho...

Beatles na vitrola
Let it be, Let it be
Vamos ser...

Algo mágico invade meu corpo
A cabeça gira sem parar
Não resiste a alucinação...

Tenho sede
Um copo d’água por gentileza
Quero me embriagar...

Sair desta angústia
Libertar a respiração
Aliviar o coração...

Água pura
Quero lavar a alma
Ar puro quero respirar...

Apesar da rotina
Carros sem fiscalização
Chaminés clandestinas...

Chuva ácida
Banha o Rio de Janeiro
Meu corpo inteiro...

Quero descansar
Que a morte me esqueça
Até lá...



Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Rio que Falo...