sexta-feira, 26 de maio de 2017

Súplica carioca

São, São Sebastião
São Sebastião do Rio de Janeiro

São Sebastião nos diga
Existe solução?

São muitas as crianças caídas
Vítimas das “balas” perdidas

São meninas e meninos
Pobres e negros em sua maioria

São os moradores das favelas
Os abandonados das periferias...

São, São Sebastião
São Sebastião do Rio de Janeiro

São Sebastião nos diga
Existe solução?

São muitos os egoístas
Pessoas presas à cobiça

São gente movida pela ganância
Donos do capital e da política

São causadores de miséria
Frias em demasia...

São, São Sebastião
São Sebastião do Rio de Janeiro

São Sebastião nos mostre
Toda e qualquer solução...


João Crispim Victorio
Rio de Janeiro, 26 de maio de 2017.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Extraído da Terra

Índio
Latim científico índium

Língua Portuguesa
Substantivo masculino

indivíduo nativo das Américas
Sinônimo de selvagem...

Índio
Elemento químico
Universal símbolo In
Número atômico
Massa atômica
Propriedade específica...

Nativo
Povo originário
Rotulado Índio
Extraído da Terra
Gigante sem fronteira
Igual a todos, cósmica poeira...







Ypê

Belchior


Contemplo o rio, que corre parado
E a dançarina de pedra que evolui
Completamente sem metas, sentado
Não tenho sido e eu sou não serei nem fui


A mente quer ser, mas querendo erra
Pois só sem desejos é que se vive o agora


Vede o pé de ypê, apenasmente flora
Revolucionariamente
Apenso ao pé da serra


Contemplo o rio, que corre parado
E a dançarina de pedra que evolui
Completamente sem metas, sentado
Não tenho sido, eu sou não serei nem fui


A gente quer ter, mas querendo era
Pois só sem desejos é que se vive o agora


Vede o pé de ypê, apenasmente flora
Revolucionariamente
Apenso ao pé da serra


Vede o pé de ypê, apenasmente flora
Revolucionariamente
Apenso ao pé da serra



De Primeira Grandeza
Belchior

Quando eu estou sob as luzes
não tenho medo de nada
e a face oculta da lua - que é a minha!
aparece iluminada.
Sou o que escondo - sendo uma mulher
igual a tua namorada
mas o que vês quando me mostro - estrela
de grandeza inesperada.

Musa, deusa, mulher, cantora e bailarina!
A força masculina atrai, não é só ilusão!
A mais que a história fez e faz o homem se destina
a ser maior que Deus por ser filho de Adão.

Anjo, Herói, Prometeu, poeta e dançarino!
A glória feminina existe e não se fez em vão!
E se destina à vida, ao gozo, a mais do que
imagina o louco que pensou a vida sem paixão.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Pacato

Homem simples da terra
parece não ter ambição
Depende do tempo
da lua que clareia a noite escura
feito a luz do lampião...

Das estrelas companheiro
nas longas cantorias no terreiro
Lamentos de angustia
de dor, também de teimosia
no dedilhar das cordas do violão...

Colhe somente o que semeia
com o suor do próprio rosto
Sacrifício do curvo corpo
na labuta do dia a dia...

Nos momentos de fartura
com os olhos cheios de alegria
Ao bondoso Deus agradece
por seu pedaço de terra...

Numa espécie de canto
entoa sua prece
Bendita seja a chuva
que umedece o chão
Germinando a semente
brotando vida...

Cumplicidade do universo
em favor de um homem bom...


Poema de João Crispim Victorio.
Livro: Sobre o Trabalho que Falo...

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Companheirismo, quem é meu companheiro?
João Crispim Victorio[i]


          Recentemente fui chamado de companheiro por uma pessoa que julgo não saber o significado da palavra. Pois tenho observado que muitos vêm, ao longo dos últimos anos, utilizando o termo pura e simplesmente por modismo ou de forma incoerente com o seu verdadeiro sentido e significado. Dessa forma, podemos dizer que o termo companheiro vem sendo usado de modo genérico para identificar pessoas como pertencentes a um determinado grupo organizado, que pode ser partidário, sindical, religioso, cultural ou esportivo, independente da superficialidade ou do comprometimento de cada um no grupo.

          A etimologia da palavra companheiro[1] deriva da tradução do latim vulgar (‘cum’ + ‘panis’), na antiga Gália - atual França , de uma expressão germânica, "gahlaiba", composta de “ga” («com») + “hlaiba” («pão») – cf. Dicionário Houaiss, e do antigo castelhano compañero. Segundo, Antenor de Veras Nascentes[2] “o signficado no latim vulgar compania `conjunto de pessoas que comem seu pão juntamente´ ter-se-ia generalizado para `pessoas que vão juntas´ e, depois, se especializado, como termo militar e para fazer referência à `tripulação de uma embarcação´”.

          Como podemos ver a palavra companheiro que se referia a quem se comia junto o pão, foi perdendo seu significado. Hoje o sentido da palavra companheiro se confunde com o da palavra colega, conforme definição do Dicionário Aurélio[3] “1 aquele ou aquilo que acompanha ou que faz companhia. 2 - O que vive na mesma casa. 3 - Pessoa que partilha com outra(s) a profissão, as mesmas funções, a mesma coletividade. 4 - Pessoa que tem com outra ou outras uma relação de amizade ou camaradagem. 5 - Membro de um casal, relativamente ao outro. 6 - Segundo grau da ordem. 7 - Forma de tratamento amigável. 8 - Que acompanha ou faz companhia. 9 - Que anda junto. 10 - Que está sempre ligado a outro”. 

          Na origem, companheiro é alguém muito próximo que senta à mesa conosco para partilhar o pouco pão e compartilhar a luta por uma vida melhor. Assim nasceram as primeiras organizações operárias - os sindicatos[4]. A solidariedade entre os operários e suas famílias foi de fundamental importância na conquista de melhores salários, melhores condições de trabalho e fortalecimento de classe. Desse modo, companheirismo é um processo coletivo de construção ideológico no intuito de abraçar o ideal da transformação social “para que todos tenham vida, e a tenham em abundância[5]”, que significa ter casa, escola, trabalho, saúde e pão para comer, pão que historicamente é símbolo de acolhida e de solidarismo[6].

          Mas, infelizmente, alguns dos que se dizem companheiros, principalmente os que atuam com você nos sindicatos e nos partidos políticos, os que deveriam ter um mínimo de ideologia e saber que vivemos uma luta de classes. Justamente esses, agem sem nenhum escrúpulo e usam os outros companheiros para atingir seus objetivos escusos. Isso mos mostra a triste realidade da atual sociedade que vivemos. Então, é preciso recuperar os valores éticos, morais e solidários, que vêm sendo aos poucos ignorados e banalizados pelo poder opressor, desse sistema político capitalista que valoriza o individualismo, a vaidade e o consumismo em detrimento do companheirismo e da vida em plenitude.



Rio de Janeiro, 11 de maio de 2017.



[1] Disponível em: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-etimologia-de-companheiro/33460. Acesso em: 11 de Maio de 2017. 

[2] Antenor de Veras Nascentes (6/1886 – 9/1972) filólogo, etimólogo, dialectólogo, e lexicógrafo brasileiro de grande importância para o estudo da lingua portuguesa. É considerado um dos mais importantes estudiosos da Língua Portuguesa do Brasil no século XX. Ocupou, como fundador, a Cadeira nº 3 da Academia Brasileira de Filologia. 

[3] Disponível em: ‹https://dicionariodoaurelio.com/companheiro›. Acesso em: 11 de Maio de 2017. 

[4] Disponível em: http://www.esquerdadiario.com.br/Origem-da-palavra-companheiro. Acesso em: 11 de Maio de 2017. 

[5] Disponível em: https://www.bibliaonline.com.br/acf/jo/10/10. Acesso em: 11 de Maio de 2017. 

[6] Termo criado pelo autor. 

[i] Professor, Especialista em Educação e Poeta. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017


Roda de Conversas

Tema: Todo Dia é Dia de Índio

Local: Colégio Estadual Dr. Albert Sabin / Biblioteca Clarice Lispector

Data e Hora: 10 de Maio de 2017 / 14h às 16h

Convidado: Profº. João Crispim Victorio

Mediadora: Profª. Yara Barbosa


























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Todo Dia é Dia de Índio.



segunda-feira, 8 de maio de 2017


“Quem não se movimenta não percebe as correntes que o aprisionam”.
                                                                                                             Rosa de Luxemburgo



          Em um artigo publicado em 1944, A república do silêncio, Sartre escreveu que os franceses nunca foram tão livres quanto no tempo da ocupação alemã. Um chocante e brilhante paradoxo que só a grande Filosofia, como exercício de pensar fora do senso comum, é capaz de produzir. Por que os franceses eram livres se todos os direitos haviam sido aniquilados pelos alemães e não havia qualquer liberdade de expressão? Como se podia ser livre sob a cerrada opressão do invasor que fiscalizava os gestos mais triviais do cotidiano? Porque, dizia Sartre, cada gesto era um compromisso. A resistência significava uma escolha e, pois, um exercício de liberdade. Significava não renunciar à construção de sua própria existência quando os invasores queriam moldá-la, reduzindo-a a objeto passivo e sem forma.
         
          Em linguagem retórica e poética Rosa de Luxemburgo disse algo semelhante: quem não se movimenta não percebe as correntes que o aprisionam.
         
          Sartre era existencialista: a existência precede a essência. Isto significa que não há algo anterior à existência que impeça um ser humano de tomar livremente as decisões que construirão o seu futuro. Isto dá ao humano a plena imputabilidade pelos seus atos. O que ele faz da sua existência é culpa ou mérito exclusivamente seu. O que ela é hoje resulta de decisões que tomou no passado, e o que será resultará das decisões que toma no presente.
         
          A experiência francesa durante a ocupação alemã guarda certa similitude com o Brasil de hoje. Na França parte da sociedade (muito maior do que os franceses gostam de admitir) foi complacente ou colaborou com o invasor que massacrava seu povo e aniquilava os mais elementares direitos dos franceses. Hoje, parte da sociedade brasileira assiste inerte, é complacente, apoia ou apoiou usurpadores que vão reduzindo a pó o pouco de direitos e garantias de um povo já miserável. 

          Na França colaborava-se por ser fascista ou filofascista. Por egoísmo social. Por ressentimento. Por ódio de classe. Para pequenas vinganças privadas, para atingir um inimigo pessoal. Colaborava-se por ausência de qualquer sentimento de solidariedade social. A colaboração com o invasor desvelava a mais baixa extração moral. Quanto a nós, tomo como paradigma uma cena do cotidiano que presenciei dia desses. Duas mulheres ao meu lado conversavam. Uma disse que seu filho de 13 anos era fã do Bolsonaro. A outra, algo espantada, faz uma crítica sutil, perguntando se ela não conversava com o filho sobre política. A resposta: “acho bonito que meu filho seja politizado nessa idade”. Com isto, quis dizer que não importava de que modo seu filho estava precocemente se politizando.

          Pode-se razoavelmente supor que ela, mulher, ignore que Bolsonaro disse que há mulheres que merecem ser estupradas? Que saudou, diante de todo país, em rede nacional de televisão, o mais célebre torturador da ditadura militar? Que declarou que prefere o filho morto se ele for homossexual? Como ignorar isso tudo é altamente improvável, porque seria supor que tal mulher vive em uma bolha impenetrável em plena era das redes sociais, podemos concluir, com Sartre, que escolheu o sórdido para si e para seu filho. O que resultará dessa escolha não poderá ser imputado a Deus, ao destino, aos fatos da natureza ou a qualquer fórmula vaga e estúpida do tipo “a vida é assim”, mas a ela mesma e a seus pares brancos de classe média que tem atitudes semelhantes.

          Do mesmo modo como a parcela colaboracionista da sociedade francesa escolheu a opressão do invasor estrangeiro, parcela da sociedade brasileira escolheu o retrocesso, o obscurantismo e a selvageria.

          Foi em massa às ruas em nome do combate à corrupção apoiando um processo político liderado por notórios corruptos.

          Regozija-se com o câncer e com o AVC do adversário politico, demonstrando completa ausência de qualquer traço de fraternidade e respeito ao próximo.

          Suas agruras e dificuldades econômicas e sociais transformam-se em ódio justamente contra os excluídos e em apoio às ricas oligarquias que controlam a vida política do país (das quais julgam-se espelhos), a fórmula clássica do fascismo.

          Permanece indiferente, omissa ou dá franco apoio ao aniquilamento de direitos, ao fim, na prática, da aposentadoria para milhões de brasileiros, à eliminação dos direitos trabalhistas, à entrega do patrimônio nacional a grandes empresas estrangeiras. 
Seu ódio transforma em esgoto as redes sociais.

           Não há como prever o que acontecerá a esta sociedade. Uma convulsão social poderá desalojar os usurpadores do poder, ou poderemos seguir para o cadafalso como povo. A História sempre é prenhe de surpresas. O que é certo, no entanto, tomando a frase de Sartre, é que somente poderão dizer no futuro que foram livres, no Brasil pós-golpe de 2016, os que agora estão se comprometendo e resistindo. É uma trágica liberdade de tempos sombrios, mas se nos foi dado viver neste tempo, que vivamos com a dignidade que somente os seres livres podem ostentar.

          Hoje são livres os que resistem.


Márcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Feira Literária do CIEP Doutel de Andrade
 
Conversa sobre índios "Todo dia é dia de índio"
 
Dia 04 de maio de 2017
 
1º momento: 9h às 12h
2º momento: 19h às 22h 


 
 
 












 
 
 


 
 





 

















 
 

  
Foi com muito prazer que participei desta festa!!!!